Eduardo Castro

A obsessão pelos índices educacionais!

Desde que a grande imprensa passou a dar destaque aos índices educacionais criados para avaliar a qualidade da educação, desenvolveu-se entre as organizações e instituições escolares e governos de maneira geral uma verdadeira obsessão por alcançar os mais altos patamares na escala destes índices. Infelizmente, acabamos por constatar que tal obsessão existe menos pela preocupação com a qualidade da aprendizagem dos alunos, mas, muito ao contrário, pelos dividendos políticos ou econômicos que estes índices podem produzir.

Apenas para exemplificar, podemos perceber, facilmente, que a cada divulgação dos resultados do ENEM as grandes organizações educacionais ou até mesmo as pequenas instituições de ensino privadas, muito apreensivas antes da liberação dos números que traduzem os índices de desempenho de seus alunos, fazem aquele “oba-oba”, quando alcançados resultados passiveis de uma boa propaganda. Da mesma forma, os governos sejam municipais ou estaduais ou até mesmo o governo federal, utilizam-se dos resultados das avaliações externas muito mais pelo retorno político que elas podem proporcionar que propriamente pelo suporte real que elas oferecem para melhoria da qualidade da educação brasileira.

Estas distorções na análise dos índices educacionais os fazem ser utilizados como um fator de ranqueamento entre as instituições educacionais, quando, na verdade, eles deveriam servir de sinalizadores para a correção dos problemas encontrados no processo de aprendizagem dos alunos.

Os índices de desenvolvimento educacional, indicadores de qualidade do ensino, têm uma finalidade muito específica e importantíssima na melhoria da educação. Não podem e não devem servir de cabo eleitoral para políticos em campanha ou de “arrebanhamento” de alunos para as instituições privadas que sobrevivem das matrículas e mensalidades destes estudantes.

Os índices educacionais precisam ser entendidos como consequência da real aprendizagem dos alunos no contexto da educação formal desenvolvida nas instituições escolares. Assim, é preciso que sejam aprimorados os olhares para estes índices, de tal sorte que gestores e educadores possam entender, a partir da análise destes tantos números, quais as deficiências a serem superadas para garantir a eficácia no aprendizado dos meninos e meninas matriculados em cada uma das escolas brasileiras.Artigo 32 - A obsessão pelos índices educacionais

As equipes escolares devem olhar para seus índices, percebendo a evolução de seu desempenho e quais as ações que efetivamente contribuíram para os avanços obtidos. Em momento algum, deve haver a preocupação de estabelecer comparações com outras escolas, uma vez que cada uma está inserida num contexto muito particular e, portanto, sofre interferências de fatores muito específicos no alcance de seus resultados.

Somente assim, os indicadores de qualidade da educação serão efetivados em sua finalidade: a de oportunizar às equipes escolares elementos para uma análise apurada de suas fragilidades, de seus pontos de atenção, a fim de permitir-lhes a melhoria da qualidade de aprendizagem dos alunos.

 

Eduardo Ferreira de Castro.

Especialista em Educação com ênfase em Gestão Educacional.

Diretor de Escola e Consultor Educacional.

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