ENSINO INTEGRAL

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Escrito por Eduardo Ferreira de Castro é especialista em Educação com ênfase em Gestão Educacional. E também Diretor de Escola e Consultor Educacional. (Foto)

Em 2012, o Governo do Estado de São Paulo lançou as bases de uma nova escola e de uma nova carreira para os professores que fazem parte da rede estadual de ensino. Esta nova escola tem como foco a formação do jovem protagonista – autônomo, solidário e competente. Autônomo, porque é capaz de envolver-se com parte da solução e não do problema. Solidário, porque é capaz de avaliar e decidir baseado nas suas crenças, valores e interesses. Competente, porque é capaz de compreender as exigências do novo mundo do trabalho e reconhecer a necessidade de aquisição de habilidades específicas requeridas para o seu Projeto de Vida.

São premissas deste novo modelo de escola o Protagonismo Juvenil, a Corresponsabilidade, a Excelência em Gestão, a Formação Continuada e a Replicabilidade. Em outras palavras, uma escola que prima pela formação de adolescentes/jovens protagonistas de sua própria vida, trabalhados a partir das ações corresponsáveis de todos os seus profissionais, nas quais se evidencia a preocupação de uns com os outros e de todos com todos os alunos nela matriculados.

E para viabilizar o alcance do objetivo maior desta escola – a formação do adolescente/jovem protagonista (autônomo, solidário e competente) o novo modelo pedagógico se sustenta em quatro princípios básicos: 1. PEDAGOGIA DA PRESENÇA, na qual a intensidade da atuação do professor no acompanhamento do aluno enriquece a formação e qualifica a aprendizagem; 2. QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO (Aprender a Ser, Aprender a Conviver, Aprender a Conhecer e Aprender a Fazer), balizadores de uma formação educacional consistente, capaz de tornar o jovem apto a vencer seus desafios na vida social e profissional; 3. EDUCAÇÃO INTERDIMENSIONAL, percebendo, reconhecendo e respeitando o adolescente/jovem em todas as suas dimensões – física, emocional, espiritual e cognitiva; e, finalmente, 4. PROTAGONISMO JUVENIL, posicionando o adolescente/jovem como condutor autônomo de sua vida, como solução e não como problema.

Neste contexto, nossos adolescentes/jovens vivenciam uma nova experiência em sua vida escolar. Iniciam o ano participando do ACOLHIMENTO, momento importantíssimo deste novo modelo educacional. Nesta etapa, os alunos começam a projetar seus sonhos e construir seu PROJETO DE VIDA. É em torno do Projeto de Vida dos alunos que a escola organiza suas ações pedagógicas.

E como isto acontece na prática? Para que a proposta pedagógica deste novo modelo de escola se transforme em realidade, os professores que atuam nestas escolas, ingressam numa nova carreira, que exige a dedicação pela e integral para as atividades escolares, distribuídas numa jornada de 40 horas semanais e composta por aulas regulares e atividades multidisciplinares. Esta dedicação plena e integral garante aos profissionais uma gratificação de 75% em seu salário-base. Entre as atividades multidisciplinares, uma merece destaque por se constituir num diferencial significativo no processo de aprendizagem dos alunos: a TUTORIA. A ação tutora, que pode ser realizada por professores e equipe gestora, permite um acompanhamento muito próximo do estudante e, assim, a oportunidade de intervenções mais imediatas nas correções de rumos em seu processo de aprendizagem. Os Tutores são escolhidos pelos alunos e isso faz com que eles tenham a possibilidade de contar com o apoio próximo de um professor/gestor com o qual mais se identificam.

Importante destacar um outro diferencial deste novo modelo de escola: a completa inexistência das “famosas aulas vagas”. Neste novo contexto educacional, 100% das aulas e demais atividades escolares são rigorosamente cumpridas. Este novo cenário somado a qualidade das aulas ministradas vai consolidando a tão desejada qualidade de ensino preconizada no artigo 206 da constituição federal, em seu inciso VII: “O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: garantia de padrão de qualidade.” Em Cruzeiro, aderiram ao Programa Ensino Integral, por decisão dos Conselhos Escolares, as escolas “Prof. Virgílio Antunes”, na Vila Dr. João Batista, em 2013; “Oswaldo Cruz”, localizada no centro da cidade, em 2014; e “Humberto Turner”, no bairro do Itagaçaba, neste ano. Na região de Guaratinguetá, outras três escolas também fazem parte deste novo momento educacional paulista: “Comendador Oliveira Gomes”, em Cachoeira Paulista; “Prof. Joaquim Ferreira Pedro” e “Profª Miquelina Cartolano”, em Lorena.

A educação integral e a jornada ampliada para os alunos brasileiros é uma diretriz explicitada na Lei Federal 9.394/1996 (LDB). Esta é uma tendência mundial, seguindo parâmetros internacionais de educação. Países com altos índices de desempenho dos estudantes adotam o regime integral de estudos. No Brasil, esta realidade ainda é recente. Ainda precisamos consolidar esta nova cultura escolar, na qual os alunos e os educadores vivenciam experiências educativas enriquecedoras durante todo o tempo em que estão na escola.

Uma certeza: este é o caminho. Não dá pra voltar atrás!

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