Reeducar as famílias talvez seja um dos caminhos mais eficazes para a reconstrução de uma sociedade que se imagina sustentar-se em patamares minimamente aceitáveis de convivência entre seres chamados “humanos”.
Nada incomum, hoje em dia, ouvirmos falas do tipo “eu não sei mais o que eu faço com o meu filho…” ou “pois é, eu falei pra ele, mas ele não me obedece…”. Ou ainda: Mãe, seu filho está faltando muito às aulas! “Eu sei diretor, mas ele é duro pra levantar de manhã, viu…” E por aí vai!
As famílias, salvo exceções, perderam o poder de educar os filhos, porque estão tão “perdidas” e desorientadas quantos as crianças e jovens que estão por aí nas ruas, nas escolas, nas baladas, nas praças… Pais e mães estão absolutamente sem nenhuma autoridade sobre estes pequenos “seres”. É necessário lembrar que em algumas “famílias”, avós, tios, padrinhos ou ainda outras pessoas assumem o lugar dos pais na criação destas crianças/jovens. Eu disse criação (grifado), desprovida de educação. Numa avaliação mais otimista, é isso que acontece em nossa sociedade atual: os pais criam ou deixam ser criados seus filhos. As famílias não mais educam, não mais ensinam valores, não mais “dão conta” dos seus herdeiros.
Atordoadas pela avalanche de informações impostas pelas mídias digitais, as famílias se perderam em meio a tantas desconstruções de valores. O que é certo ou errado? O que é legítimo ou ilegítimo? Quais os valores aceitos nesta sociedade? Que tipo de educação devo dar aos meus filhos para que eles vivam e sobrevivam neste mundo? Vixe! Quantas dúvidas, quantas perguntas sem respostas…
Com tudo isso, fica cada vez mais desafiadora e complexa a educação destas crianças e jovens digitais, oriundas das famílias a que nos referimos até aqui.
Diante deste quadro inquietante, só nos resta concluir que a solução está na base: reeducar as famílias. É fundamental que as famílias reassumam seu “lugar ao sol”. Que reconquistem sua autoridade sobre os pequenos/jovens “tiranos”. Que entendam e façam entender que quem determina as regras dentro de casa, quem diz o que pode ou o que não pode, o que deve ou não deve ser feito são os pais e não os filhos. E tudo isso pode e deve ser construído com muito diálogo, porém com a clareza de que os interlocutores experientes são os pais.
Será a partir da reeducação familiar que começaremos a reconstruir nossa sociedade e garantir um ambiente mais saudável nas relações entre as pessoas.
Com o reposicionamento das famílias, assumindo seu papel ímpar na sociedade, seu poder de comando, seu poder de educar e formar para valores, teremos, seguramente, ambientes saudáveis nos lares, nas ruas, nos clubes, nas praças, nas escolas… E, assim, cada instituição poderá, igualmente, assumir seu papel social com eficácia, não necessitando fazer “as vezes do outro”.
Para o sucesso deste Programa de Reeducação Familiar, profissionais como pedagogos, psicólogos, assistentes sociais, e, também, líderes religiosos estarão unidos, irmanados nesta tarefa urgentíssima, que, se bem cumprida, bem sucedida, garantirá a sobrevivência das próximas gerações.
E talvez o local mais apropriado para que esse Programa seja colocado em prática seja a escola, espaço de educação, onde temos uma grande concentração de famílias responsáveis pelos alunos – crianças e jovens – nela matriculados. Famílias estas que pedem socorro por meio de suas falas, atitudes, posturas, ouvidas e manifestadas diariamente em nossas instituições de ensino!
Se não atuarmos nas causas do problema, não obteremos sucesso. E uma das principais causas das aflições enfrentadas atualmente em nosso meio social está na desestabilização da célula mater da sociedade: a família.
Logo, é imperativo a reeducação das famílias!

