Entre tantos desafios experienciados pelas instituições de ensino nos dias atuais, um tem trazido especial angústia e aflição aos educadores e gestores educacionais: a frequência escolar. A situação se verifica em escala cada vez maior em um crescente número de escolas pelo país. Este problema tem sido motivo de muita preocupação no meio educacional e já tem provocado debates que buscam soluções para esta dificuldade enfrentada. Vale destacar que o imbróglio se percebe com intensidade maior entre os adolescentes/jovens, a partir dos 13 anos.
A constatação da frequência irregular se dá por meio do controle realizado diariamente pelas escolas, que tem apontado a inconstância da presença dos alunos no espaço educativo. Nem mesmo o desejo de encontrar os colegas tem mobilizado os jovens a estarem nas escolas todos os dias.
A questão tem suscitado reflexões no meio educacional. A intenção é, sem dúvida, encontrar respostas e encaminhar soluções para superar o problema. Muitas são as hipóteses levantadas e, entre elas, a que parece chamar mais a atenção dos especialistas é a alta dependência dos jovens em relação ao uso da internet. Quanto mais conectados, mais distantes do mundo real e, consequentemente, das obrigações que fazem parte do seu dia a dia. Entre estas obrigações, destacamos a de frequentar a escola.
É fato que os jovens – e não apenas eles – têm permanecido conectados por meio dos mais diversos dispositivos eletrônicos (tablets, smartphones, netbooks, notebooks…) nas já conhecidas redes sociais e, a cada dia, por mais e mais tempo, chegando a dormir, em muitos casos, somente depois das duas ou três horas da madrugada. Esta situação leva o adolescente, inevitavelmente, a perda da capacidade de atenção e concentração nos estudos; a uma maior irritabilidade e agressividade; e, finalmente, ao alto índice de ausência nas escolas, provocado pelas pouquíssimas horas de sono.
Como reverter esse quadro num mundo em que a tecnologia está cada vez mais presente em nosso cotidiano? Como colocá-la a favor da frequência e da permanência dos alunos em nossas instituições escolares? Como trazer toda a sociedade à consciência de um problema cada vez mais presente em nossas escolas? São muitas as perguntas e, ainda, poucas as respostas para este enorme desafio.
No estado de São Paulo, a Secretaria de Educação lançou recentemente a projeto “Quem falta faz falta”, que prevê ações para garantir a maior presença dos alunos nas escolas estaduais.
Ainda, em recente reportagem publicada no G1, conhecemos o projeto piloto “Caçadores de Alunos”, desenvolvido em 30 escolas de três cidades – São Paulo, Sorocaba e Mogi Mirim. Por este projeto, os “caçadores” miram nas faltas e por telefone vão atrás dos pais. Onde o projeto começou, 50% dos alunos que estavam faltando além da conta voltaram à sala de aula, segundo a reportagem.
Apesar destes esforços, o caminho a ser perseguido para garantir maior e melhor frequência dos alunos às aulas é bastante sinuoso e exige a participação de todos. É muito importante que toda a sociedade entenda a educação como um valor fundamental e indispensável na formação das atuais e futuras gerações, pois só assim, com o efetivo envolvimento e comprometimento de cada um, é que este desafio poderá ser superado.
Vale enfatizar que as instituições escolares e os educadores não são, decididamente, os únicos responsáveis pela garantia da frequência escolar. Para tanto, bastar lembrar aqui o texto constitucional, que afirma ser a educação um “direito de todos e dever do Estado e da família”, devendo ser “promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”.
Se pretendemos melhores resultados educacionais, precisamos garantir maior presença dos alunos nas salas de aula! Precisamos nos unir em favor desta causa, pois, se o aluno não é frequente às aulas, seu desempenho escolar é, inequivocamente, prejudicado.
E para finalizar, faço um chamamento: Todos pela Frequência Regular dos alunos em todas as salas de aula do país!
Eduardo Ferreira de Castro.
Especialista em Educação com ênfase em Gestão Educacional.
Diretor de Escola e Consultor Educacional.

