Como você está educando seu filho?

Educar os Filhos

Você que é pai, mãe, avô, avó, tio, tia, padrinho, madrinha, responsável por crianças ou jovens menores de 18 anos, tem enfrentado muitas dificuldades na educação destes que serão os protagonistas de amanhã? Você tem conseguido conversar com estas crianças e estes jovens tão conectados na e, com destaque, nas redes sociais? Tem tido sucesso em ser ouvido por eles? Um diálogo, mínimo que seja, tem sido construído?

Bem, antevendo as respostas que vocês me apresentarão, posso afirmar que, infelizmente, a frequência entre adultos responsáveis por menores tem sofrido as mais ruidosas interferências e isto tem provocado seríssimas rupturas na educação destas crianças e jovens. São muitos os casos de descompasso entre pais e filhos. Situações nas quais chegamos a presenciar menores que determinam os passos a serem dados pelos pais, dando mostras da imensa fragilidade destes diante daqueles. Filhos, que na sua incapacidade de ouvir e saber esperar, exigem dos pais a realização de seus desejos e caprichos com o imediatismo que julgam ter direito. Crianças e jovens que vêm se especializando na capacidade de ludibriar os seus responsáveis, fazendo-os acreditar em tudo o que dizem, como verdades indiscutíveis.

De outro lado, temos uma geração de adultos que se transformaram em pais e mães muito cedo e, em muitos casos, de maneira indesejada e, que, justamente por isso, não assumem uma paternidade responsável, não sabem ou não querem saber como educar seus filhos. Querem continuar vivendo como se não os tivessem e atribuem a responsabilidade da educação destes menores ao avós, que já não têm a mesma disposição, energia e vigor físico para educá-los.

Há que se considerar, também, os pais que, pela necessidade de sobrevivência, se consomem em horas e horas de trabalho, e acreditam que preenchendo a carência material dos filhos, estão educando com qualidade. Esquecem-se que muito mais valiosos que qualquer bem material são a presença e o afeto na relação com os filhos. A ausência destes pais tem patrocinado um vácuo na educação de seus filhos que acabam crescendo, muitas vezes, com valores distorcidos, entre eles a crença de que podem tudo e de que são os únicos responsáveis por decidir o que deve ser feito.

Este contexto tem nos obrigado a conviver com verdadeiros “tiranos em miniatura” em nosso meio social. A autoridade paterna se deteriorou para estes jovens. Para eles, muitas vezes, os pais são como os coleguinhas da rua, da escola, do seu meio social.

É preciso que se diga que se estes pais não tomarem as “rédeas” na educação de seus filhos, muito em breve, serão os filhos a determinarem o que os pais devem ou não devem fazer; como os pais devem ou não agir diante de cada situação que se lhes apresentem.

Nossas crianças e jovens precisam entender que em nossa sociedade existem regras – para todos – e que estas devem ser respeitadas. Este ensinamento deve começar em casa, a partir dos pais e da família. E deve seguir nas escolas com a atuação dos educadores. Assim, além de transmitirem valores nobres para seus filhos, como respeitar o próximo, por exemplo – e este próximo pode ser o irmão, os pais, os colegas de escola e seus educadores – devem apoiar as autoridades escolares, quando claramente atuam na educação de seus filhos. Qualquer atitude em contrário será um reforço aos maus feitos destas crianças e jovens.

Quando nosso filho nos conta a sua versão da história é preciso que ouçamos as outras versões possíveis, a fim de não cometermos injustiças e de não reforçarmos comportamentos que contribuam para a distorção de sua personalidade. Se amamos nossos filhos e, portanto, queremos o melhor para eles, não devemos jamais acobertar seus erros. Ao contrário, temos a obrigação de fazer com que eles os enxerguem.

Finalmente, necessário se faz destacar a importância do apoio de toda a sociedade, especialmente dos órgãos competentes como o Conselho Tutelar e a Promotoria da Infância e da Juventude, no resgate da autoridade paterna. E, aos pais, que já resgataram sua autoridade junto aos filhos ou que nunca a perderam, vale lembrar, na mesma direção, a importância do apoio às autoridades escolares junto a seus filhos em seu processo educativo, pois somente assim teremos uma sociedade comandada por pessoas de valores nobres, que respeitam o próximo e se fazem respeitar por ele.

E, então, como você está educando seu filho?

Eduardo Ferreira de Castro.

Especialista em Educação com ênfase em Gestão Educacional.

Diretor de Escola e Consultor Educacional.

 

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