Que tipo de associação pode haver entre os termos educação e preconceito? Para entendermos melhor a relação entre estes dois vocábulos, devemos começar por revelar seus significados. Então, vejamos: EDUCAÇÃO, nas palavras do filólogo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, é o “conjunto de normas pedagógicas tendentes ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito”; é, também, “o conhecimento e a prática dos usos da gente fina”; é “a instrução, a polidez, a cortesia”. Já o termo PRECONCEITO traz o significado de “ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial”. Significa, ainda, segundo o filólogo, a “opinião desfavorável que não é baseada em dados objetivos”. Traduz-se, também, no “estado de cegueira moral”.
Bem, uma vez conhecendo os significados das palavras, podemos começar a estabelecer as muitas relações entre elas, não nos esquecendo da importância da contextualização em cada relação estabelecida.
Se, ao falarmos em EDUCAÇÃO nos referimos ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito, entendemos que o ato de educar se traduz na formação integral do homem. É esta formação que garantirá o conhecimento e subsidiará a prática da polidez, da cortesia utilizadas pelas “gentes finas”.
Assim, se educamos o homem na integralidade, não deveria haver espaço para os conceitos sem fundamentos sérios, para opiniões baseadas em dados não objetivos, para a cegueira moral, ou seja, não deveria haver espaço para os PRECONCEITOS! A educação, quando se permite carregar por preconceitos das mais diversas ordens, traz prejuízos, muitas vezes, irreparáveis na formação das pessoas. Estes danos provocados por uma educação permeada de ideias preconcebidas sem nenhuma fundamentação causam desequilíbrios nas relações sociais.
Preconceitos de raça, cor, religião, gênero, nacionalidades e tantos outros contribuem para a deformação da sociedade. Crianças que crescem torturadas por esses preconceitos acabam perdendo inúmeras oportunidades que as fariam adultos mais completos e realizados.
São muitos os exemplos. Os negros, que por sua raça/cor são vistos, preconceituosamente, como inferiores e deles acabam sendo retiradas, frequentemente, oportunidades de ascensão social. As mulheres
, que por puro preconceito, ainda em pleno século XXI, são consideradas menos capazes que os homens em funções de mesma responsabilidade e, por esse motivo, recebem salários inferiores. Os transgêneros, que são vítimas dos maiores preconceitos e violências em nossa sociedade, chegando muitas vezes a serem assassinados por serem “diferentes”.E o preconceito religioso! Não faz muito tempo, a intolerância religiosa fez mais uma vítima em Curitiba. Uma adolescente de 14 anos e praticante de candomblé foi agredida na saída da escola por colegas de classe. Não apenas isso! Temos assistido diariamente e por muitos anos os preconceitos religiosos causarem guerra e milhares de mortes pelo mundo.
A xenofobia, que nada mais é que o preconceito contra pessoas de outras nacionalidades. Em caso recente, publicado no UOL, uma estudante de 23 anos relata a violência que sofreu em Dublin, na Irlanda. Ela conta que um rapaz que tinha acabado de conhecer na rua a chamou de “puta”, quando ela falou que era brasileira. Lembra, ainda, que depois de ter revidado a ofensa, algumas amigas dele se aproximaram e começaram a xingá-la e bater nela, chutando-lhe, inclusive, a cabeça.
Por tudo isto, a EDUCAÇÃO jamais pode ser revestida de PRECONCEITOS. Devemos pensar a educação de forma libertadora. Devemos educar para a liberdade. É essa a educação capaz de transformar crianças em adultos saudáveis, não apenas fisicamente, mas também emocional, psicológica e espiritualmente. Uma educação que construa pessoas capazes de ser e conviver em “perfeita harmonia” é aquela pela qual todos devemos lutar.
É… talvez devamos começar pelo começo! E onde está o começo? Está onde a cegueira moral não nos afeta!
Eduardo Ferreira de Castro.
Especialista em Educação com ênfase em Gestão Educacional.
Diretor de Escola e Consultor Educacional.

