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Caixa exige receitas de sócios e da Nike como garantias por Itaquerão

A Caixa Econômica Federal exigiu que o Corinthians desse como garantias as receitas que obtém com o programa Fiel Torcedor e com a Nike para aceitar uma redução nas parcelas do empréstimo para a construção do estádio do clube, em Itaquera.

O empréstimo realizado com o banco, que atuou como agente financeiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), foi usado para financiar parte da construção da Arena Corinthians. O estádio foi inaugurado em 2014 e usado na abertura da Copa do Mundo, no mesmo ano.

O clube tem de saldar o débito até 2028. Cada parcela é de R$ 5,6 milhões. Diretor do Corinthians até o início deste mês, Emerson Piovezan diz que o clube voltou a pagar “um pouco mais da metade” da prestação. A diferença foi rolada para o final do financiamento, o que tornará as mensalidades do empréstimo mais caras com o passar do tempo.

“Voltamos a pagar [as prestações]. Mas esta questão [da garantia] ainda está em negociação”, afirmou Piovezan, que deixou o cargo para se lançar como candidato a vice-presidente na chapa liderada por Paulo Garcia. A eleição no clube está marcada para 3 de fevereiro de 2018.
O pedido da Caixa foi confirmado à Folha por pessoa envolvida nas negociações.

O Corinthians parou de quitar o valor integral das parcelas do empréstimo de R$ 400 milhões em março de 2016. Estava pagando apenas parte dos juros da dívida.

As garantias servem para a Caixa ter segurança de que, em caso de inadimplência do Corinthians, a instituição tenha de onde tirar o dinheiro para saldar o débito.

No balanço financeiro de 2016, o programa de sócio Fiel Torcedor entrou na mesma rubrica de “premiações, loterias e outras” na lista de resultados. Rendeu R$ 12,9 milhões no ano.

Por contrato, o Corinthians dá uma parte do que arrecada no programa para a Omni, empresa que cuida da administração do Itaquerão.
O programa Fiel Torcedor é dá ao associado a preferência de comprar ingressos para os jogos do time na arena em Itaquera. O valor cobrado pelo clube varia com o tipo de plano. O preço vai de R$ 9 a R$ 72 mensais.

O presidente Roberto de Andrade anunciou neste mês ter renovado o contrato com a Nike até 2029. De luvas pela extensão, o clube recebeu cerca de R$ 25 milhões. Não há divulgação de quanto a empresa paga para fornecer o material esportivo.

No balanço financeiro de 2016, a Parker Randall Brasil, que fez a auditoria das contas, avisou não ter recebido documentos sobre o investimento feito pela Nike no Corinthians. Na rubrica “patrocínios e publicidades”, o clube teve entrada de R$ 71,5 milhões em 2016.
Os valores arrecadados com o programa Fiel Torcedor e da Nike são contabilizados como “receita bruta no segmento futebol”. Somadas com as demais arrecadações, o Corinthians faturou R$ 313,9 milhões.

No início de 2017, quando estava inadimplente, o clube já havia considerado a possibilidade de oferecer o Fiel Torcedor à Caixa Econômica Federal. O CORI (Conselho de Orientação), órgão do conselho deliberativo, determinou que a garantia só poderia ser dada com a sua aprovação, o que não ocorreu.

A diretoria voltou a pagar as parcelas do empréstimo a dois meses da eleição para presidente do clube.
O pleito tem seis candidatos. Andrés Sanchez representa a situação. Pela oposição, concorrem Antônio Roque Citadini, Felipe Ezabella, Paulo Garcia e Romeu Tuma Jr.

OUTRO LADO
A Caixa Econômica Federal não comenta informações sobre o empréstimo feito para a construção da Arena Corinthians. Consultado, o presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, afirmou que “os termos da negociação foram tratados apenas entre as partes e não são divulgados publicamente.”

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