Beija-Flor veio para chocar e provocou a resposta que queria da avenida ao encerrar o segundo dia de desfiles do Grupo Especial das escolas de samba do Rio, na madrugada desta terça-feira (13).

A agremiação de Nilópolis fez sucesso com o público, que seguiu cantando o samba após o fim do desfile e chegou a receber até aplausos de um grupo de jurados, com um enredo que teceu críticas à corrupção no Brasil.

Se o prefeito vestido de Judas do desfile da Mangueira ou o presidente Michel Temer (MDB) de vampiro pareceram fortes na primeira noite, cenas de mau gosto, como as de uma encenação de um aluno atirando em colegas, crianças dentro de caixões e policiais mortos não deixaram dúvidas sobre as intenções da escola.
A Beija-Flor também deixou para trás a tradição de fantasias luxuosas e bem acabadas, dando lugar a trapos e farrapos em alegorias de estética duvidosa.
Seguindo o costume de executar bem enredos com temática africana, o Salgueiro também se destacou e emocionou a plateia ao contar a trajetória de mulheres negras.

A Beija-Flor fez uma série de críticas políticas, num paralelo entre o romance de terror Frankenstein (1818), da Mary Shelley, que completa 200 anos em 2018, com o momento vivido pelo Brasil.

Os temas escolhidos pela Beija-Flor foram desde corrupção, com um carro que representava o Congresso Nacional e repressão nas favelas, a liberdade sexual com a cantora Pabllo Vittar como destaque.

A União da Ilha diferenciou sua bateria “40 Graus” das demais com levada funk que levantou a arquibancada da Sapucaí. Esse destaque pode ter sido o diferencial para garantir uma vaga da escola no desfile das campeãs no próximo sábado (17).

Atual campeã do Carnaval, a Portela deixou a desejar. A paixão dos componentes e integrantes pela azul e branca de Madureira não contagiou as arquibancadas. A escola fez um desfile de fácil assimilação e bonito, mas o samba não pegou.

Já a Unidos da Tijuca fez sucesso com um “samba-chiclete” e um enredo de apelo popular e cheio de atores globais, sobre o artista multiplataforma Miguel Falabella.

Se a política sobrou na avenida, faltou nos camarotes.
Em ano eleitoral, o prefeito da cidade de São Paulo, João Dória (PSDB), marcou presença na Sapucaí, minutos antes da escola Unidos da Tijuca entrar.
Na ausência do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da Igreja Universal, e do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), Dória foi o único político relevante presente na avenida nesta segunda noite de desfiles.

Entretanto, os políticos cariocas foram lembrados no desfile da Beija-Flor. A escola levou para a avenida a “Farra dos Guardanapos”, episódio que ficou conhecido o jantar luxuoso que aconteceu em Paris, no qual políticos e empresários do Rio, bêbados, foram fotografados com guardanapos na cabeça.
Dos presentes na hoje célebre foto, nove já foram presos e outros estão sob investigação.

POSTO DE SAÚDE
Até as duas horas desta terça-feira (13), 392 pessoas haviam buscado atendimento nos postos médicos do sambódromo. A maior parte delas com mal-estar provocado pelo calor.

A noite do segundo desfile foi mais fresca em comparação à primeira, que teve mais de 500 pessoas atendidas.