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Na volta, Neymar alegra companheiros de PSG, mas parte da torcida questiona

Mais de dois meses depois de machucar o pé direito, Neymar reencontrou a torcida do Paris Saint-Germain nesta terça-feira (8) e voltou a ter contato público com os demais jogadores do clube.

O craque brasileiro marcou presença e atraiu as atenções durante a final da Copa da França, no Stade de France, em Saint Denis, em jogo que o PSG foi campeão ao vencer o modesto Les Herbiers por 2 a 0.

Na tribuna de honra assistindo à partida e depois na festa do título no gramado, o camisa dez demonstrou descontração e esteve bem à vontade ao lado de seus companheiros de equipe. Perante a torcida, no entanto, sua imagem se revela um pouco desgastada. Há questionamentos quanto a sua postura e ao período de recuperação da lesão longe de Paris, já que permaneceu no Brasil, em sua casa em Mangaratiba-RJ, após fraturar o quinto metatarso do pé direito.

“Foi uma pena o Neymar ter se machucado, porque ele ficou fora dos jogos decisivos da temporada quando o time mais precisava dele. A lesão não é culpa dele, eu sei, mas ele poderia ter mostrado que estava junto com time em momentos importantes. Ele parece não se importar. Por que ele ficou tanto tempo no Brasil? Por que ele sempre mostrava nas redes sociais que estava jogando pôquer ou se divertindo, ao invés de se importar com o Paris? Por que ele pensou mais em jogar a Copa do Mundo com a seleção brasileira do que em voltar a jogar pelo Paris ainda nesta temporada”, questionou o torcedor Robert Charvet, de 43 anos, que estava no estádio vestindo a camisa 9 do uruguaio Edinson Cavani.

Em conversa com a reportagem do UOL Esporte nesta terça, diversos outros torcedores do PSG seguiram a mesma linha nas críticas ao atacante brasileiro: seu aparente pouco comprometimento com o clube francês. Vale lembrar que a lesão do jogador ocorreu antes do segundo jogo das oitavas de final da Liga dos Campeões contra o Real Madrid. Em virtude da recuperação, Neymar assistiu à partida pela televisão no Brasil e viu o time ser eliminado da principal competição europeia.

A contestação, no entanto, não é unânime. Principalmente os mais jovens conservam uma idolatria pela contratação milionária desta temporada. Inúmeros fãs usando a camisa número dez, com o nome de Neymar nas costas, circulavam pelas arquibancadas do Stade de France.

“Eu não consigo entender o motivo de alguns torcedores falarem coisas ruins do Neymar. Às vezes parece inveja. Ele deu azar de se machucar, mas já mostrou em vários jogos que é o melhor jogador do time e pode nos levar a grandes conquistas. Precisamos cuidar melhor dele se quisermos ser campeões da Champions League”, disse Jean-Pierre Prat, de 25 anos.

Logo que entrou em campo e ficou no banco de reservas ao lado de outros atletas que não atuaram, ainda durante o aquecimento das equipes para a final da Copa da França, Neymar chamou a atenção de quem estava no estádio. Durante o jogo, ele ficou sentado na tribuna entre o italiano Marco Verratti, com quem teve um papo descontraído, e um amigo, Cris Guedes. Acompanhando um duelo sem grandes emoções, ficou boa parte do tempo mexendo no telefone celular, mas comemorou os gols de Lo Celso e Cavani e ainda levou as mãos à cabeça com alguns gols perdidos.

Vigiado de perto por seguranças, frustrou alguns torcedores mirins que tentaram se aproximar para fotos e autógrafos. Dois minutos antes do fim do primeiro tempo, o brasileiro desceu para o vestiário e foi incentivar os companheiros no intervalo, assim como já tinha feito antes de a bola rolar.

Com o apito final e o título confirmado, Neymar entrou novamente no gramado e participou da festa. Como ainda vestia roupa social, pediu uma camiseta do Paris Saint-Germain, foi atendido, fez a troca ali mesmo e festejou. Abraçou jogadores, membros da comissão técnica, funcionários e recebeu sua medalha. Esteve sempre perto dos compatriotas Dani Alves, Thiago Silva e Marquinhos, além do francês Mbappé.

Depois da premiação, foi em direção à torcida organizada junto com toda a equipe e, quando pegou a taça em mãos, foi cercado por fotógrafos e cinegrafistas. Até por não ter atuado nesta terça, a comemoração do camisa dez foi tímida, e a reação dos torcedores em relação a ele também. Desta vez, não teve cantoria da música “Aquarela do Brasil”, por exemplo.

Enquanto Neymar já se encaminhava para o vestiário novamente junto com a maioria dos outros atletas do PSG, a torcida fazia a festa com o uruguaio Cavani, que reforçava o seu status de ídolo, já sem camisa neste momento, com um bandeirão nas mãos e puxando gritos de guerra no microfone.

No fim da noite, Neymar se mostrou bastante chateado com a notícia da lesão no joelho do lateral Daniel Alves, que corre o risco de ficar fora da Copa do Mundo. Antes disso, porém, a presença do camisa dez do Brasil novamente no elenco do Paris Saint-Germain deixou o ambiente mais animado.

“Todo mundo estava feliz, ele estava lá, comemorou com a gente. A gente está feliz que ele voltou, faz muito tempo agora, quase três meses que ele não estava aqui. Ele é muito importante para o time, então, especialmente hoje, depois desta Copa, era muito importante que ele estivesse aqui para comemorar junto. E agora o mais importante para ele é recuperar bem para jogar a Copa do Mundo”, afirmou o goleiro alemão Kevin Trapp.

A última partida de Neymar pelo clube francês foi no dia 25 de fevereiro, quando ele se lesionou diante do Olympique de Marselha. O atacante brasileiro não deve atuar nos dois compromissos restantes do time na temporada, contra o Rennes, neste sábado, e contra o Caen, no dia 19, ambos pelo Campeonato Francês. Desta forma, ele deve voltar definitivamente aos gramados apenas nos amistosos do Brasil, contra Croácia e Áustria, nos dias 3 e 10 de junho, respectivamente, às vésperas do Mundial da Rússia.

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