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Morre Eloísa Mafalda, atriz de tipos maternos

TONY GOES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Conhecida por tipos maternos nas telenovelas da Globo, a atriz Eloísa Mafalda morreu na noite desta quarta-feira (16) aos 93 anos em sua casa, em Petrópolis, Rio de Janeiro.

Ela Sofria do mal de Alzheimer e estava fora das telas desde 2002, quando interpretou a dona Carmem em “O Beijo do Vampiro” (Globo).

Nascida em Jundiaí em 1924, Eloísa Theotto começou sua carreira em radionovelas nos anos 1950. Um de seus papéis mais conhecidos foi o da dona Nenê na primeira versão da série “A Grande Família”, entre 1972 e 1975.

Ela deixa dois filhos, dois netos e dois bisnetos. Amigos e familiares foram às redes sociais para prestar homenagens. Informações sobre velório ainda não foram confirmadas pela família.

“Foi a primeira mulher que me pegou no colo. Antes de me colocarem no colo da minha mãe, ela me pegou da mão da obstetra e disse: ‘É meu neto!’ Nosso amor sempre foi explícito”, postou Marcelo Berro em mensagem no Facebook.

Eloísa Mafalda conseguiu criar uma carreira sólida, com elogios da crítica e carinho do público, quase que só interpretando mães.

A mais emblemática de todas foi dona Nenê, na primeira versão da série “A Grande Família” (1972-1975). Mas houve dezenas de outras, geralmente precedidas por um “dona”: dona Pombinha (“Roque Santeiro”, 1985), dona Delfina (“Meu Bem Querer”, 1991), dona Mariana (“Paraíso”, 1982).

E também pontos fora da curva, como a cafetina Maria Machadão, na primeira versão da novela “Gabriela” (1975). Era uma participação especial, mas a atriz mostrou um lado desconhecido de seu enorme talento.

Chegou à TV já quarentona, em 1965: estreou na primeira novela das oito produzida pela Globo, “O Ébrio”, uma adaptação do clássico filme de Gilda de Abreu. Nunca mais saiu da emissora.

Fez pouco cinema (seis filmes) e pouquíssimo teatro (apenas três peças, a última há 40 anos). Mas tornou-se um dos rostos mais conhecidos do Brasil, pela força de seus personagens na televisão.

Era o que os americanos chamam de “character actor”: o coadjuvante carismático, indispensável em qualquer produção. O tipo de ator que raramente chega a protagonista (e Eloísa Mafalda não chegou), mas que brilha em papéis menores e faz escada para os protagonistas brilharem.

Acabou se especializando nos papéis de mãe por causa da idade e pelo tipo físico -e também pela falta de imaginação dos diretores de elenco, que raramente a escalavam para algo diferente.

Quase sempre, mães de classe média para baixo: não fazia grã-finas (mas encarnou Edite, uma impagável nova-rica, em “Brilhante”, de 1981).

Nem por isso era atriz de um personagem só. Soube dar personalidade própria a cada uma das inúmeras genitoras que viveu na telinha, das mais ternas às mais espevitadas.

Também imprimia imensa verdade em seus papéis.

Conseguiu captar, durante mais de três décadas, a essência do que seria a arquetípica mãe brasileira: abnegada, amorosa, batalhadora. Com trejeitos autoritários, mas, também muitos traços cômicos.

Sofrendo do mal de Alzheimer e com dificuldade crescente para decorar textos, afastou das novelas em 2002, depois de participar de “O Beijo do Vampiro”.

Desde então, só reapareceu na TV em matérias do tipo “por onde anda?”, em que mostrava sua vida de aposentada em Petrópolis (RJ).

Para quem viu TV nas décadas de 1960 a 1990, era uma referência fortíssima.

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