IGOR GIELOW

MOSCOU, RÚSSIA (FOLHAPRESS) – À frente do que muitos consideram uma das piores seleções russas da história, o técnico Stanislav Tchertchesov tenta manter o bom humor. “Eu espero manter o meu emprego nos próximos anos.”

Terá trabalho. Seu time é o pior colocado no ranking da Fifa (70º) a disputar a Copa do Mundo deste ano, na qual garantiu vaga por ser o anfitrião. Abrirá o torneio nesta quinta (14) contra um adversário de nível semelhante pela métrica, a Arábia Saudita, três posições acima da Rússia na tabela.

“Crítica é natural, mas queremos ser bem tratados. Vamos trabalhar, eu não falo sobre críticas com o meu time. Pode elogiar também, elogio é uma forma de crítica”, afirmou, em entrevista coletiva em Moscou nesta quarta (13). “A descrição do meu trabalho é aceitar crítica. Eu admito que não leio muito o que escrevem, fico focado.”

O time é contestado por torcida e imprensa. Não ganha há sete partidas, desde outubro do ano passado, quando derrotou a Coreia do Sul por 4 a 2. Tchertchesov faz sua parte e afirma que viu evolução no time desde 5 de junho, quando empatou com a Turquia, que não está no Mundial, por 1 a 1 em Moscou. “Estamos jogando em um nível melhor desde aquela partida. Não estamos preocupados com críticas”, afirmou o técnico.

O próprio presidente Vladimir Putin já disse, em mais de uma ocasião, que lamentava que a seleção do país não tivesse muitas chances no torneio sediado em casa. Tchertchesov, instado por um jornalista, fez o proselitismo de praxe ao dizer que o mandatário era responsável por um grande evento, e que a organização é considerada uma das melhores já feitas.

Tchertchesov não quis adiantar a escalação do time, mas disse que o lateral-direito brasileiro Mário Fernandes está em condições de estar no grupo que entrará em campo na quinta. O time russo fez um reconhecimento de gramado e treino no Lujniki, estádio que irá receber outros jogos até a final do campeonato. A estrutura está praticamente pronta, e testes de infraestrutura de mídia estavam sendo feitos ao longo da manhã.

Apesar de tudo, Tchertchesov estava descontraído. Depois de ouvir vários desejos de boa sorte de jornalistas presentes, ele fez uma divagação bem russa. “Me desejam mais sucesso do que boa sorte, acho que porque em russo sucesso é uma palavra masculina, e boa sorte, feminina”, disse. Ele afirmou que “não entendia a pergunta” de um repórter que o questionou sobre a campanha de apoio à seleção local lançada por algumas celebridades russas, que viralizou na rede com os aderentes usando um bigode semelhante ao do treinador.