Últimas Notícias

Suíço que escolheu a Croácia, Rakitic sai em defesa do rival e amigo Messi

NIJNI NOVGOROD, RÚSSIA (FOLHAPRESS) – Ivan Rakitic, 30, falou mais sobre Lionel Messi do que sobre a seleção da Croácia, time do qual faz parte, dono de um dos meios-campos pais temidos da Copa do Mundo.

“Você falou com Messi nesta semana?”

“Como vai ser jogar contra ele?”

“Como a Croácia pretende pará-lo?”

A todas as perguntas, o volante do Barcelona respondeu em espanhol com sotaque andaluz. Ele aprendeu a língua ao jogar pelo Sevilha entre 2011 e 2014. Poderia adotar um roteiro de respostas protocolares para falar do jogo, mas preferiu seguir seu instinto. Saiu em defesa do seu adversário desta quinta (21). Rival apenas no Mundial. Messi é seu companheiro e amigo no Barcelona.

Se a Croácia derrotar a Argentina às 15h (de Brasília), em Nijni Novgorod, deixará a seleção sul-americana perto da eliminação na fase de grupos. E de fazer com que o mundo desabe sobre a cabeça de Lionel.

“Nós temos de fazer uma partida perfeita para parar Leo. Você sabe que o melhor jogar do mundo vai te complicar bastante. Contra a Islândia, ele poderia ter marcado dois ou três gols. Eu o conheço e não sei de ninguém mais orgulhoso por representar o seu país”, opina Rakitici.

O meia croata mora próximo a Messi nos arredores da cidade catalã. Quando chegou ao clube, o astro da equipe se preocupou em saber onde Rakitic estava morando, se pretendia comprar ou alugar uma casa e deu o telefone do seu agente imobiliário.

Foi um gesto para tentar fazer com que se sentisse em casa um jogador que sempre teve problemas com o sentimento de pertencer a um lugar. Ele nunca morou na Croácia. Nasceu em Möhlin, na Suíça. Seus pais são croatas, mas moravam na Bósnia. Quando a tensão étnica começou a se tornar insuportável no final dos anos 80, emigraram.

Rakitic usou o argumento do coração ao escolher defender a nação de seus ancestrais. Mas recebeu ameaças de morte na Suíça por causa disso. Sua casa amanheceu pintada o chamando de traidor. Foi jogar na Alemanha antes de chegar à Espanha.

A decisão pela Croácia até hoje não foi aceita 100%. Ele diz se considerar suíço e que jamais vai desistir da cidadania do país. É torcedor do Basel FC, onde começou. Seu ídolo no esporte é o tenista suíço Roger Federer.

“Nós temos uma equipe interessante, com jogadores que atuam por grandes clubes de Europa. Estamos aqui para desfrutar cada minuto do Mundial e ver para onde vamos. A Argentina tem claramente o melhor time do grupo, mas no futebol nem sempre o melhor time vence”, opinou.

No meio-campo, além dele, deverão estar Luka Modric (Real Madrid-ESP), Rebic (Fiorentina-ITA) e Perisic (Internazionale-ITA). Sampaoli disse esperar que Rakitic fique mais recuado e Modric, liberado para encostar nos atacantes. Percebeu e avaliou a Croácia pelo que ela é, um time perigoso pelo toque de bola e pela saída rápida para o ataque.

Talvez a escolha pela Croácia tenha acontecido pelo mesmo instinto que o fez falar de forma quase protetora sobre o rival Messi nesta quarta (20), um dia antes do confronto pela Copa do Mundo. Ser instintivo foi algo que sempre serviu para Rakitic tanto no profissional (apesar do desejo do continuar no Basel achou melhor aceitar oferta do Schalke 04-ALE em 2007 e hoje está no Barcelona) quanto no pessoal.

Em 2011 ele estava em Sevilha para assinar com o time da cidade, mas choviam ofertas pelo seu futebol. Na sua primeira noite na região, sem falar espanhol e indeciso, ele foi ao bar ao lado do seu hotel e pediu um café. Seu irmão perguntou se não era melhor considerar outra proposta que havia chegado.

“Não”, ele respondeu.

“Por que não?”

“Porque eu vou jogar pelo Sevilla e vou me casar com aquela garçonete.”

Ele hoje é casado com Raquel, a garçonete, com quem tem duas filhas, Althea, 5, e Adara, 2.

To Top