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Casos de sarampo expõem Rio a risco de surto após 18 anos

Dois casos de sarampo confirmados nesta segunda-feira (9) na cidade do Rio de Janeiro indicam que há risco de o surto chegar ao estado, já que a doença é altamente contagiosa.

As duas pacientes são estudantes da UFRJ (Universidade Federal do RJ) e não viajaram recentemente para locais que vêm registrando alta incidência de casos, como Roraima, Amazonas e Venezuela.

Ambas as jovens haviam tomado as duas doses necessárias da vacina, por isso a avaliação preliminar da Secretaria Estadual de Saúde do Rio é que tenha ocorrido uma falha vacinal. Ou seja, que elas façam parte de uma minoria de pessoas em que a vacina não gera imunidade.

“Elas também podem ter pego de alguém que viajou”, diz o médico Alexandre Chieppe, da Subsecretaria de Vigilância em Saúde do RJ. Segundo ele, o estado não registrava casos autóctones de sarampo -contraídos no próprio local-  há 18 anos. As últimas ocorrências foram em 2014, mas eram importadas.

Os dois casos confirmados agora, aliados à facilidade de transmissão do sarampo, causam preocupação, diz Renato Kfouri, presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria. “O sarampo é muito rápido. Assim como a catapora, quando tem um caso é muito fácil se tornar surto se tiver gente desprotegida.”

O governo estadual diz que a cobertura vacinal para crianças de um ano no RJ é de 95% -equivalente à meta prevista pelo Programa Nacional de Imunizações-, e a prefeitura afirma que o número da capital é de 107%.

Kfouri pondera, porém, que isso não significa alta cobertura em todos os municípios ou regiões. “O estado tem 95%, mas tem municípios com 70%. Não é homogêneo, tem áreas de suscetibilidade da doença”, diz.

Chieppe, da Secretaria de Saúde, afirma ser possível que apareçam mais casos isolados ou aglomerados, mas que seria um número pequeno diante da cobertura do Rio.

“Como estamos trabalhando com um caso primário e um secundário, ainda não dá para dizer que há uma grande circulação do vírus.” De acordo com ele, para evitar novos casos o governo agora se concentra na imunização de adolescentes e adultos não vacinados.

Carlos Kiefer, professor de infectologia da Unifesp (Universidade Federal de SP), concorda que esse deva ser o foco. “O problema é que a população adulta esquece de tomar a vacina ou fazer o reforço e fica suscetível”, afirma.

Segundo o médico, apesar de não serem graves nem representarem um surto ainda, os dois casos no Rio indicam que há um risco. “Algo aconteceu que elas pegaram a doença no local em que vivem. Então a doença está chegando por alguma via”, afirma.

Para evitar que os dois casos de sarampo da UFRJ se espalhem, a Secretaria Municipal de Saúde aplicou 573 doses da vacina em estudantes e funcionários da universidade no último dia 3. A ação, chamada vacinação de bloqueio, é considerada correta por infectologistas.

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