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Tecnologia atrapalha mais do que ajuda, diz Paul McCartney

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LIVERPOOL, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) – Após quase seis décadas consagrado acima de tudo por seu perfil musical, o ex-Beatle Paul McCartney também pode ser reconhecido cada vez mais como um grande contador de histórias.

É isso que se revela em seu álbum mais novo, “Egypt Station”, a ser lançado em setembro. E também foi esta característica que mostrou em sessão de perguntas e respostas de que a Folha participou em Liverpool, nesta quarta (25).

Em um anfiteatro com capacidade para cerca de 400 pessoas no Lipa (Liverpool Institute for Performing Arts), escola que ajudou a fundar, em 1996, Paul McCartney tocou, conversou com Jarvis Cocker, do Pulp, e respondeu a perguntas da plateia, na maioria estudantes e fãs.

Acima de tudo, contou dezenas de histórias sobre a carreira desde que estudou na escola que ficava no mesmo local do Lipa, desde os 11 anos, e onde conheceu George Harrison.

Durante uma hora e dez minutos, não foram raras as ocasiões em que McCartney arrancou risadas do público.

Na gravação de “Hey Jude”, por exemplo, ele contou que Ringo Starr foi ao banheiro e deixou a canção sem bateria, mas voltou no meio da música e retomou como se nada tivesse acontecido.

O evento terminou com uma apresentação acústica de 12 canções, desde clássicos “Love Me Do” e “From Me to You” passando por “We Can Work it Out” e por músicas raras ou tocadas tradicionalmente em passagens de som, como “I Lost My Little Girl”.

E também pela carreira com o Wings, com “Mrs Vanderbilt” e seu trabalho solo, como “On My Way to Work” e a inédita “Confidante”, composta em homenagem a seu violão.

O foco agora é “Egypt Station”, cujo projeto ele diz ter vindo da ideia de fazer um disco com perfil de disco, isto é, que fosse para se ouvir inteiro do começo ao fim. “Hoje em dia, Taylor Swift e Beyoncé fazem álbuns que são uma coleção de singles. Não consigo competir com isso”, disse.

O álbum tem 14 músicas e foi estruturado de forma a criar a sensação de conduzir uma viagem. Até a capa passa a ter relevância na história contada. Ela é uma adaptação de um quadro pintado por McCartney, e foi dela que surgiu o nome do álbum.

“Egypt Station” é o 17º disco de estúdio de Paul sob seu nome, após trabalhos com os Beatles e os Wings, e o primeiro álbum de estúdio do compositor desde “New”, de 2013.

McCartney falou da sua relação com a tecnologia no processo de gravação de canções. Segundo ele, os avanços tecnológicos mais atrapalham que ajudam um compositor.

“Hoje você pode gravar qualquer coisa, então acabo com milhares de trechos de canções inacabadas. Antigamente era diferente. Eu e John [Lennon] levávamos a ideia do começo ao fim, e era melhor do que ter só fragmentos”, disse.

“Como não tínhamos como gravar muito, precisávamos compor músicas das quais nos lembrássemos. Isso fez com que escrevêssemos músicas memoráveis, das quais nos lembramos até hoje.”

Segundo ele, quando os Beatles começaram, a banda tinha só uma hora e meia no estúdio para gravar cada música. “O som ficava mais fresco, guardava o espírito da música.”

Apesar das ressalvas, McCartney tem demonstrado habilidade para divulgar seu trabalho com ajuda da internet.

O primeiro passo foi liberar em junho duas das canções novas (“Come On to Me” e “I Don’t Know”) de graça.

Depois, veio a participação no Carpool Karaoke, do The Late Late Show, de James Corden, incluindo um show-surpresa no pub Philarmonic Dinning Rooms que teve mais de 28 milhões de visualizações.

Ele voltou a ser destaque na web neste mês ao atravessar a Abbey Road, rua que estampou a capa do disco homônimo dos Beatles.

McCartney disse ainda que nesta quinta (26) fará outro show-surpresa em Liverpool, em um local não revelado.

O evento com estudantes no Lipa foi transmitido ao vivo em redes sociais. Ao menos para ajudar a contar suas histórias, a tecnologia tem ajudado bastante.

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