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Justiça da Argentina manda prender kirchneristas

Foram presos nesta quarta-feira (1º), a pedido da Justiça argentina, mais de dez ex-funcionários e pessoas vinculadas ao período kirchnerista (2003-2015), supostamente ligadas a uma rede de corrupção que tinha como objetivo desviar dezenas de milhares de dólares que seriam destinados de obras públicas.

As prisões foram decretadas depois da descoberta de oito pequenos cadernos que Oscar Centeno, um ex-funcionário do então ministro do Planejamento, Julio De Vido, havia mantido com nomes, valores e descrição das transações. De Vido está preso por outra causa de corrupção.

Entre os presos hoje estão o próprio Centeno, que disse ter mantido os diários para se proteger, Roberto Baratta, que era mão direita de De Vido, os diretores da estatal Electroingenieria, Luis Neyra e Gerardo Ferreyra e outros nomes.

Foi preso ainda o empresário Héctor Sánchez Caballero, da Iecsa, construtora que, na época, pertencia ao primo do presidente Mauricio Macri, Angelo Calcaterra (também citado nas delações da Odebrecht) e realizava obras em parceria com o governo kirchnerista.

O juiz responsável, Claudio Bonadio, afirmou que as prisões devem continuar nos próximos dias. Foram convocados a dar esclarecimentos a ex-presidente Cristina Kirchner, hoje senadora, seu ex-chefe de gabinete, Juan Manuel Abal Medina, e seu ex-chefe de inteligência, Oscar Parrilli.

Os chamados “cadernos da corrupção”, como foram apelidados pela imprensa argentina, registram uma suposta movimentação de US$ 56 milhões (R$ 210 milhões). Já Bonadio diz que sua investigação calcula um total de US$ 160 milhões (R$ 600 milhões) em desvios de verba pública, durante todo o período.

Parte dos cadernos, que Centeno começou a escrever em 2003, foi revelada pelo jornal La Nación. Nele, o funcionário, que atuava como motorista, se autoproclamava o “valijero”, ou o “carregador de malas”, coletando e entregando as somas que descreve minuciosamente, à mão. Estão ali rotas, nomes, quantias levadas de um destino a outro, assim como alguns bastidores do dia-a-dia do governo.

Os cadernos anotaram todas as viagens feitas em seu Toyota Corolla. Entre os casos famosos estão o endereço do convento de freiras onde o funcionário José Lopez, hoje preso, guardou US$ 9 milhões (R$ 34 milhões).

São traçadas ainda todas as entregas feitas na Quinta de Olivos quando Néstor Kirchner foi presidente (2003-2007) e na residência dos Kirchner em Buenos Aires. O que não podia ser entregue diretamente, era levado ao secretário particular dos ex-presidentes, Daniel Muñoz.

Quatro empresários do ramo da construção estão sendo buscados pela polícia: Francisco Valenti, Oscar Thomas, Carlos Wagner e Juan Carlos de Goicochea.

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