As ações da fabricante de veículos elétricos Tesla dispararam 11% nesta terça-feira (7), após o presidente-executivo da empresa, Elon Musk, anunciar que considera tirar a companhia da Bolsa.

“Estou pensando em fechar o capital da Tesla em US$ 420 [por ação]. Financiamento garantido”, escreveu Musk em sua conta no Twitter às 13h48 (horário de Brasília).

Logo após a postagem, os papéis da empresa saltaram de US$ 356,53 para US$ 371,15 —fecharam em US$ 379,57. No ano, as ações a Tesla acumulam alta de 22%.

“Minha esperança é que todos os investidores atuais permaneçam com a Tesla, mesmo se formos privados”, Musk continuou. “Criaria um fundo para propósitos especiais que permitisse a qualquer um ficar com a Tesla. Já faço isso com o investimento da SpaceX na Fidelity.”

A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) permite que as empresas usem mídias sociais como Facebook e Twitter para anunciar informações importantes em conformidade com suas regras de divulgação, desde que os investidores tenham sido alertados sobre quais redes serão usadas para disseminar tais informações.

Em valor de mercado, a fabricante vale US$ 61,3 bilhões (R$ 229,9 bilhões). Se a ação chegar a US$ 420, elevaria o valor da empresa para cerca de US$ 72 bilhões (R$ 269,86 bilhões). Musk detém 20% da Tesla e disse em carta a funcionários que não pretende expandir sua posição.

Se Musk obtivesse sucesso em fechar o capital da Tesla, seria a maior aquisição alavancada de todos os tempos, superando o recorde estabelecido pelo acordo de US$ 45 bilhões da concessionária de energia do Texas Energy Future Holdings, que terminou em concordata em 2014.

Musk não mencionou de onde viria o financiamento para um acordo com acionistas, e alguns profissionais de Wall Street demonstraram ceticismo com a possibilidade de uma aquisição da Tesla em meio ao fluxo de caixa negativo da empresa.

Em uma carta a funcionários publicada também no blog da Tesla horas após a postagem no Twitter, Musk afirmou que uma decisão final ainda não havia sido tomada, mas disse que o objetivo ao fechar o capital da empresa seria criar um ambiente para a companhia operar melhor.

“Como uma empresa pública, estamos sujeitos a grandes oscilações no preço de nossas ações, o que pode ser uma grande distração para todos que trabalham na Tesla, sendo que todos são acionistas. Ser uma empresa de capital aberto também nos sujeita ao ciclo de lucros trimestrais que coloca uma enorme pressão sobre a Tesla para tomar decisões que podem ser adequadas para um determinado trimestre, mas não necessariamente corretas para o longo prazo”, afirmou.

O executivo disse ainda que “com o estoque mais curto na história do mercado de ações, ser público significa que há um grande número de pessoas que têm o incentivo para atacar a empresa.”

O executivo tem se desentendido publicamente com reguladores, críticos e repórteres e está sob intensa pressão neste ano para provar que pode cumprir sua promessa de transformar a empresa deficitária em lucrativa, enquanto a concorrência no mercado de veículos elétricos se acirra.

Na semana passada, Musk reforçou a meta de produzir 6 mil sedãs Model 3 por semana até o fim de agosto. Depois que a Tesla produziu 5 mil por semana em julho, após vários atrasos no cumprimento dessa meta, analistas ficaram preocupados com a possibilidade de manter a taxa de produção.

Fechar o capital seria um modo de evitar o intenso escrutínio do mercado. Quando um usuário do Twitter comentou que o movimento “pouparia muita dor de cabeça”, Musk respondeu: “Sim”.

Questionado por outro se continuaria presidente da Tesla, Musk respondeu que não haveria mudança.

“Acredito fundamentalmente que estamos no nosso melhor quando todos estão focados na execução, quando podemos permanecer focados em nossa missão de longo prazo e quando não há incentivos perversos para as pessoas tentarem prejudicar o que todos estamos tentando alcançar”, disse Musk na rede social, acrescentando que sua outra empresa, a SpaceX, é muito mais eficiente em termos operacionais em grande parte por ser de capital privada.

“Isso não quer dizer que faça sentido para a Tesla ser privada a longo prazo. No futuro, quando a Tesla entrar em uma fase de crescimento mais lento e previsível, provavelmente fará sentido retornar aos mercados públicos”, finalizou.

HISTÓRICO

Desde o IPO (oferta inicial de ações), em junho de 2010, as ações da Tesla se valorizaram 2.132,76% —no mesmo período, o índice de tecnologia Nasdaq ganhou 255%.

Musk é o 31º homem mais rico do mundo, de acordo com a Bloomberg, com uma fortuna estimada em US$ 24,4 bilhões (R$ 97,5 bilhões).

Polêmicas são a tônica da vida de Musk. O executivo ocupou as manchetes nos últimos meses em três episódios diferentes.

Em junho, anunciou que a montadora de carros elétricos Tesla fora sabotada por um de seus funcionários, provocando prejuízos milionários. O suspeito, segundo Musk, alterou o código de programação do sistema de produção e enviou informações sigilosas da empresa para terceiros.

No começo de julho, se ofereceu para ajudar no resgate dos garotos presos em uma caverna na Tailândia.

Entre as ideias estava cavar um túnel (uma de suas empresas é especializada nisso) ou usar um minissubmarino construído pela SpaceX, sua empresa espacial.

Descartada, a proposta desembocou em um bate-boca pelas redes sociais com um dos mergulhadores que participou do salvamento.

Dias depois, em meio à guerra comercial entre China e Estados Unidos, anunciou um acordo com o governo chinês para construir em Xangai a primeira fábrica da Tesla fora do território americano.

Se for adiante, a montadora deve começar a produzir daqui a três anos, mas dados financeiros não foram revelados, deixando analistas céticos sobre a empreitada.