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Prefeitura de Arraial do Cabo vai pagar traslado de corpo de turista morta para SC

Prefeitura de Arraial do Cabo vai pagar traslado de corpo de turista morta para SC

A Prefeitura de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio, informou nesta sexta-feira (23) que vai pagar as despesas com o traslado do corpo de Fabiane Fernandes, uma turista catarinense de 30 anos que desapareceu no domingo (18) ao fazer uma trilha. Vítima foi encontrada morta na quarta-feira (21) na Prainha.

Segundo o município, o IML de Araruama informou que deve liberar o corpo na manhã deste sábado (24) e ele será encaminhado para Florianópolis (SC).

De acordo com o irmão de criação da vítima, que se identificou apenas como Rafael, a liberação só será possível porque um amigo da família que mora no Rio de Janeiro apresentou uma procuração enviada pelos parentes ao IML. Rafael informou também que o local do enterro ainda está sendo definido.

Um empresário de Arraial do Cabo, Julio Batista, chegou a se oferecer para pagar as despesas da família, caso fosse necessário que eles viessem ao Rio de Janeiro.

Julio explicou que trabalha com turismo e disse que um caso de violência como este é ruim para a imagem da cidade. Ele afirmou ainda que a ajuda oferecida seria o mínimo que ele poderia fazer.

Causa da morte

Exames realizados no corpo de Fabiane Fernandes, apontaram que a vítima teve todos os ossos da face quebrados e morreu por traumatismo cranioencefálico.

De acordo com a diretora do IML de Araruama, Kesley Couto, os exames indicaram que a vítima provavelmente foi atingida por pedrada e morreu no mesmo dia em que entrou na trilha, no domingo.

A diretora informou ainda que, devido ao adiantado estado de decomposição, não é possível afirmar se houve violência sexual, mas disse que um material foi coletado para análise no setor de antropologia forense do IML Afrânio Peixoto, na capital do Rio de Janeiro.

As unhas da vítima também serão analisadas para saber se há algum vestígio do autor do crime.

Investigações

A Polícia Civil não descarta a hipótese de latrocínio, roubo seguido de morte, no caso da turista. Segundo o delegado Renato Mariano, titular da 132ª Delegacia de Polícia, seis testemunhas já foram ouvidas.

Nesta quinta-feira (22), um homem que estava acampado com um outro rapaz, na mesma trilha onde a vítima foi encontrada, foi encaminhado à delegacia pela Guarda Ambiental para prestar esclarecimentos.

O homem prestou depoimento e foi liberado porque, segundo a polícia, não havia evidências que apontassem a participação dele no crime.

O delegado informou que a outra pessoa que estava com ele no acampamento não foi localizada.

Desaparecimento

Fabiane Fernandes, de 30 anos, desapareceu no domingo (18) depois de entrar em uma trilha em Arraial do Cabo. A turista morava em Florianópolis (SC) e chegou a postar uma foto por volta das 11h do domingo, e logo depois desapareceu.

Câmeras do circuito interno de uma loja de conveniências registraram a empresária lanchando antes de desaparecer. Fabiane esteve no estabelecimento por dois dias seguidos para lanchar e tomar café da manhã. Segundo funcionários da loja, ela disse que estava sozinha na cidade e que queria fazer a trilha do Pontal do Atalaia.

“Estava sozinha. Falou que estava hospedada em um apartamento aqui na Prainha. Falou que tinha vindo sozinha de Floripa, num voo. Mostrou algumas fotos no Instagram dela e parecia que ela gostava de algo aventureiro, fazer trilha, bicicleta”, contou um dos funcionários.

Família

Fabiane Fernandes tinha um filho de 9 anos e cuidava da mãe, que é acamada, segundo relato de amigos ao G1. Ela era empresária e administrava uma pousada da família na Praia dos Ingleses.

Em Florianópolis, familiares, amigos e vizinhos da empresária ficaram comovidos com o assassinato. Eles aguardam a chegada do corpo para prestar as últimas homenagens.

A designer de interiores Bruna Martinelli disse ao G1 SC que viajou muito com amiga e que conviveram por muitos anos.

“Ela sempre foi muito aventureira e corajosa. Costumava fazer trilhas, mas sozinha nunca. Ela pedalava profissionalmente. Sempre em grupos”, contou Bruna.

O irmão de Fabiane morava em um imóvel próximo a residência. Durante a semana, ainda nas buscas, a Defesa Civil fazia contato com ele para acompanhar os trabalhos no Rio de Janeiro.

Ao saber da morte da irmã, publicou nas redes sociais uma frase.

“Ser humano não merece o chão que pisa”, disse o irmão em uma publicação.

*Estagiária sob a supervisão de Franklin Vogas

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