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Temporais de verão causam estragos e deixam desabrigados no Sul

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CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – Fortes temporais ao longo das últimas semanas, com ventos de até 80 km/h, provocaram alagamentos, destelharam casas e deixaram centenas de desalojados na região Sul do país.

Entre as causas apontadas por meteorologistas, estão ondas atmosféricas mais intensas que o normal, bloqueios meteorológicos e até a elevada temperatura do mar. 

No Rio Grande do Sul, tempestades ocorridas desde a última semana, em especial na região oeste, na fronteira com a Argentina, deixaram três mortos e centenas de desabrigados -nesta sexta (18), ainda havia cerca de 7.300 pessoas fora de suas casas.

Dezesseis municípios decretaram situação de emergência, e a previsão é de novas pancadas de chuva nos próximos dias. Segundo a Sala de Situação do estado, o motivo dos temporais no Rio Grande do Sul são ondas atmosféricas tropicais, que estacionaram na região durante dias. 

“Foi algo mais intenso do que o normal, e impediu que os sistemas avançassem para regiões de altitudes mais baixas, o que acarretou esse grande volume de chuvas”, diz o meteorologista Maicon Veber, do CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O governo do estado está arrecadando doações para as vítimas da chuva e alerta para o risco de novas tempestades neste fim de semana.

Em Santa Catarina, de acordo com a Defesa Civil, tem chovido com intensidade todo final de tarde neste verão -uma consequência da umidade, da elevada amplitude térmica e das altas temperaturas do mar. 

“Chuva de verão é normal, mas, neste ano, está bem mais intenso”, diz o secretário estadual de Defesa Civil de Santa Catarina, João Batista Cordeiro Júnior.

Um relatório do órgão mostra que a temperatura da água do mar na costa catarinense tem variado entre 27°C e 30°C, em especial entre Florianópolis e o litoral norte. Isso é cerca de 2°C acima da média dos últimos 30 anos. 

“Essa condição de águas mais quentes tem contribuído para noites mais abafadas e também favorecido uma maior quantidade de umidade na faixa leste [região litorânea], o que contribui para as chuvas”, informa o documento da Defesa Civil de Santa Catarina.

As chuvas têm provocado alagamentos, deslizamentos, vendavais e granizo na região.

Em Penha, no litoral norte catarinense, choveu 140 mm em pouco mais de meia hora nesta quinta (17). Muros caíram, e postes na beira-mar foram entortados com o vento. O município decretou situação de emergência e estima que 400 famílias tiveram que deixar suas casas por causa da destruição. O prejuízo à infraestrutura da cidade, segundo a prefeitura, é estimado em R$ 5 milhões.

Em Blumenau, moradores ficaram presos em áreas alagadas, e a Defesa Civil orientou famílias em áreas de risco de deslizamento que saíssem de casa. Pelo menos duas residências foram evacuadas, por precaução.

Atingida por desastres naturais em verões passados, com deslizamentos, enxurradas e mortes, Santa Catarina fez um convênio no ano passado com o Serviço Geológico do Brasil para identificar riscos geológicos nos municípios. 

Segundo o coordenador da Defesa Civil, as prefeituras mapearam suas áreas de risco e agora trabalham preventivamente, evacuando regiões suscetíveis a deslizamentos. Até agora, ninguém se feriu por causa das chuvas no estado.

No Paraná, onde também choveu forte ao longo da semana, cerca de 400 casas foram danificadas, e quatro pessoas ficaram desalojadas em Colombo, na região metropolitana de Curitiba.

A previsão é de novas pancadas de chuva nos próximos dias, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). As defesas civis monitoram as condições climáticas e irão emitir alertas à população em caso de risco.

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