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Momento exato em que barragem da Vale se rompe em Brumadinho

Imagens obtidas com exclusividade pela TV Globo mostram o exato momento do rompimento da barragem 1 do Complexo da Mina Córrego do Feijão,

Imagens obtidas com exclusividade pela TV Globo mostram o exato momento do rompimento da barragem 1 do Complexo da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no dia 25. O vídeo, exibido na tarde desta sexta (1º), mostra que o “tsunami” de lama, minério e rejeitos avança em segundos, destruindo tudo o que encontra pela frente.

As imagens de circuito interno mostram que eram 12h28. Após um estrondo, a avalanche de lama arrasta tudo pela frente.

Um outro vídeo, cedido pela Band (veja abaixo), também mostra o momento do acidente. Primeiro, aparece uma poeira do lado esquerdo, que vai subindo e se alastrando. Depois começa a aparecer a lama. No centro, uma estrutura da Vale, veículos e alguns funcionários. Um veículo branco e uma máquina tentam escapam, mas são cercados pelo “mar de lama” e somem.

Números da tragédia

  • 110 mortos confirmados – 71 identificados (veja a lista)
  • 238 desaparecidos (veja a lista)
  • 192 resgatados (veja a lista)
  • 394 localizados
  • 108 desalojados ou desabrigados

Familiares veem negligência de plano de emergência da Vale em Brumadinho

BRUMADINHO, MG (FOLHAPRESS) – Familiares de vítimas da tragédia em Brumadinho veem descaso e negligência em relatório da Vale que já prévia que o centro administrativo da mina de Córrego do Feijão estava em uma área de risco, caso ocorresse um eventual rompimento. 

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira (1º) revela que um plano de emergência da mineradora já sabia que um eventual rompimento de barragem no local destruiria as áreas industriais da mina de Córrego do Feijão, incluindo o restaurante e a sede da unidade, onde estava parte dos mortos e desaparecidos.

“Isso é negligência para mim. Minha irmã não sabia do risco que ela estava correndo, disso eu tenho certeza”, diz Leo Ávila, 39, que nesta sexta foi mais uma vez a um centro montado pela mineradora para atendimentos a familiares, em Brumadinho. 

Leo reclama especificamente do local onde foi construído o refeitório, logo abaixo da barragem. Leo procurava informações sobre como obter uma cópia do relatório. 

Mais um dia, sua busca por notícias do corpo de sua irmã Angélica Ávila foi infrutífera. Seu nome não constava em nenhuma lista de encontrados da Vale. 

Ex-funcionário terceirizado da mina, Carlos Pereira, 38, também lamenta a morte de quem não sabia o risco que corria. “Eu fui motorista de veículo grande, transportei a lama varias vezes, sabia do peso daquilo. Agora imagina os auxiliares de cozinha, de limpeza, que passavam o dia cortando cebola e tomate nos refeitórios. Eles não sabiam de nada”.

Ele busca informações sobre a irmã, a auxiliar de cozinha, Carla Pereira, 37. 

Ao deixar o posto de atendimento da Vale recorreu a um dos muitos panfletos religiosos distribuídos por testemunhas de Jeová com os dizeres “O sofrimento vai ter fim?” e “Como lidar com a dor da morte”. 

O porta-voz da Defensoria Pública mineira, que presta atendimento aos familiares das vítimas disse que à primeira vista, o relatório mostra uma situação grave. “Obviamente, isso deve ser investigado. Mas se havia a previsibilidade de que havia esse risco e nada foi feito, é algo grave”.

Bombeiros continuam buscas na região do refeitório da Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

A enfermeira Adriana Belo, 39 também questiona se o local do refeitório era o mais adequado para reunir diariamente centenas de funcionários da empresa. Ela busca informações sobre seu primo, o ajudante geral André Luiz Carlos, 22. 

Adriana conta que o primo tinha receio da segurança da barragem. “Ele dizia que mais dia menos dia ela iria ceder”, conta. 

Outro item abordado pelo plano de emergência da Vale são as rotas de fuga para o caso de uma emergência. O auxiliar de manutenção de uma empresa terceirizada José Silva Filho, 55, trabalhava na mina, passou por treinamentos de emergência e que nada saiu como previsto. 

“Falaram que a sirene ia tocar meia hora antes de acontecer alguma coisa. Mas não tocou. Se tocasse dez minutos antes, estava todo mundo vivo”. José conta que escapou da lama subindo o morro, se embrenhando no mato. “Quem pegou a estrada de fuga morreu”, lamenta.

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