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Música como nos desenhos da televisão

A ópera O Barbeiro de Sevilha, com suas passagens famosas, como a ária de Fígaro, abre nesta quinta-feira, dia 14, no Theatro Municipal a temporada lírica paulistana. Temporada que, até agora, não tem outros títulos confirmados: no próprio Municipal, não há previsão de anúncio da programação; e, no Theatro São Pedro, a informação é de que “a Santa Marcelina Cultura está em tratativas com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do governo do Estado de São Paulo para a finalização e divulgação” da agenda para este ano.

Estreada em 1816 por Rossini, O Barbeiro de Sevilha é comandado, nesta nova montagem, pelo maestro Roberto Minczuk e pelo diretor cênico Cleber Papa, que buscou ressaltar em sua leitura personagens menores como Ambrogio e Berta, que o ajudam a narrar a história de amor entre Rosina e o Conde, ajudados por Figaro, mas atrapalhados por Bartolo e Basílio. Os cenários e figurinos são de José de Anchieta.

“O papel de Figaro é um grande desafio. Começar a noite cantando Largo al factotum, ária imortalizada pelos desenhos como Pernalonga e Pica-Pau, já cria uma tensão e expectativa”, diz Michel de Souza, que interpreta o papel nos dias 14, 16, 19 e 21, com Luisa Francesconi (Rosina), Jack Swanson (Conde), Sávio Sperandio (Bartolo) e Carlos Eduardo Marcos (Basilio). Nos dias 15, 17 e 20, o elenco tem Davi Marcondes (Figaro), Luciana Bueno (Rosina), Anibal Mancini (Conde), Saulo Javan (Bartolo) e Matheus França (Basilio).

Swanson também chama atenção para os desafios de se interpretar uma ópera tão célebre. “Mas acho que é uma ópera tão perfeita na sua construção que você não precisa fazer muita coisa para que ela soe nova para o público”, ele explica. O tenor americano tem interpretado o papel do Conde com frequência em uma carreira em rápida ascensão. “É o papel que mais cantei até hoje, mas esta é a primeira vez que participo de uma produção mais tradicional. Nas outras em que cantei, a ação era atualizada para os dias atuais, com o conde mais parecido com uma estrela do rock.
Tem sido divertido voltar ao básico e interpretar a ópera como Rossini a imaginou.”

Após uma série de papéis dramáticos, Luisa Francesconi volta no Barbeiro à comédia, refletindo sobre o papel das heroínas cômicas na ópera. “Rosina é uma jovem espevitada e cheia de vida que sabe muito bem o que quer e como manipular os que estão à sua volta para conseguir alcançar seus objetivos. Ela gosta do Conde de Almaviva, mas ao mesmo tempo o vê como a oportunidade de se livrar das garras do tutor. É uma personagem feminina que, diferentemente do que veio a se consolidar como ópera romântica, onde as heroínas sucumbem ao seu destino, morrendo ou ficando loucas, decide e age.”

O BARBEIRO DE SEVILHA Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/nº, tel.
3053-2100.
De 5ª (14) a 5ª (21). 2ª (18) não tem apresentação. 3ª a sáb., 20h. Dom., 18h. R$ 20 a R$ 120
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

João Luiz Sampaio, especial para a AE
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