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Corpo de jovem morto após receber ‘gravata’ de segurança é enterrado no Rio

Corpo de jovem morto após receber 'gravata' de segurança é enterrado no Ri

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O corpo de Pedro Henrique Gonzaga, 19, que morreu na última quinta (14) após ser imobilizado por um segurança do supermercado Extra, foi enterrado neste sábado (16) no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, extremo oeste do Rio de Janeiro. A família não quis dar entrevistas.

Uma manifestação foi marcada para acontecer na tarde deste domingo (17) em frente à loja, que fica na Barra da Tijuca, também na zona oeste. O evento no Facebook, que tinha 2.000 pessoas confirmadas nesta sexta (15), um dia depois passou a ter mais de 5.000.

Segundo a descrição da página, o ato terá o objetivo de cobrar ações como a demissão do vigia –o que segundo o Extra já foi feito–, o pagamento de uma indenização à família e uma capacitação de funcionários do supermercado relacionada a violência e racismo.

O caso ficou conhecido depois que circulou nas redes sociais um vídeo de Pedro Henrique aparentemente desacordado, com o vigia Davi Ricardo Amâncio deitado sobre ele por no mínimo um minuto. Na filmagem, o segurança contesta pedidos de outras pessoas para que ele solte o rapaz.

Uma diz: “Está desmaiado, não está, não?”. Ele afirma: “Circula, quem sabe sou eu, pô”. Outra mulher grita: “Ele tá com a mão roxa”. E então o segurança responde diversas vezes: “Você tá mentindo”. Há outros funcionários e vários clientes em volta.

Imagens das câmeras do supermercado obtidas pela TV Globo mostram como o caso começou. O rapaz corre em direção ao vigilante, que está parado ao lado de outro funcionário perto da entrada da loja, e eles parecem conversar por alguns instantes.

Uma mulher se aproxima e, em seguida, o jovem cai no chão. Os dois funcionários levantam Pedro Henrique, mas a confusão continua. Ele cai uma segunda vez e sai do campo de visão da câmera. O vídeo compartilhado na internet foi gravado depois disso.

O jovem foi levado ao hospital já em parada cardiorrespiratória e passou por reanimação, mas teve outras duas paradas e morreu às 15h10 do mesmo dia. O corpo passou pelo IML (Instituto Médico Legal), e o caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da capital fluminense.

Até esta sexta, haviam prestado depoimento três funcionários do supermercado, o padrasto da vítima e dois amigos. A mãe, que estava com o filho na loja na hora do ocorrido, ainda não havia sido ouvida por estar muito abalada.

Segundo o delegado Cassiano Conte, responsável pelo caso, familiares disseram que Pedro Henrique era dependente químico e teve um surto. Ele seria internado horas depois em uma clínica em Petrópolis (região metropolitana do Rio).

O policial afirmou à Folha de S.Paulo que o segurança “agiu com excesso na forma de conter a vítima, com conduta imprudente”. Davi Ricardo Amâncio foi preso em flagrante e indiciado por homicídio culposo, mas pagou fiança de R$ 10 mil e vai responder ao processo em liberdade.

Na versão do advogado do vigilante, o rapaz simulou um primeiro desmaio e uma convulsão e, quando o segurança foi socorrê-lo, Pedro Henrique pegou a arma que estava em sua perna, ameaçando clientes. Ao imobilizá-lo, o vigia pensou que o jovem estivesse fingindo ter desmaiado novamente e o segurou até que a polícia chegasse.

De acordo com o depoimento de uma das testemunhas, porém, a mãe diz que a arma do vigilante acabou se soltando e ela mesmo chamou outros seguranças para impedir que o filho a pegasse.

O Extra, que pertence ao Grupo Pão de Açúcar, afirmou em nota que os funcionários envolvidos foram afastados definitivamente e que instaurou uma sindicância interna. Também disse que “não vai se eximir das responsabilidades diante do ocorrido, sendo o maior interessado em esclarecer a situação o mais rapidamente possível”.

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