Crimes

Entenda o caso Sérgio Cabral

Meu apego a poder e dinheiro é um vício, diz Cabral

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) –

A TRAMA DE CABRAL

Como o ex-governador do RJ mudou versão sobre propinas recebidas em seu governo em depoimentos

O CASO

Sérgio Cabral (MDB) é acusado de ter cobrado 5% de propina nos principais contratos durante seu mandato (2007-2014) no governo do Rio de Janeiro

OS DOLEIROS

Renato e Marcelo Chebar se tornaram delatores e entregaram cerca de R$ 300 milhões depositados em contas no exterior em seus nomes, mas que pertenciam de fato a Sérgio Cabral

O JUIZ

Marcelo Bretas já condenou oito vezes Sérgio Cabral

ALIADOS E CÚMPLICES

Cabral é acusado de ter pago mesadas a membros da quadrilha, além de ter ajudado a financiar campanhas de aliados por caixa dois

AS PRINCIPAIS DATAS

nov.16

Sérgio Cabral é preso na Operação Calicute

abr.17

1º interrogatório de Cabral

“Não posso negar uso de caixa dois e uso de sobras de campanha de recursos. Em função de eu ter sido um político sempre com desempenho eleitoral muito forte no estado, o financiamento acontecia… Esses fatos são reais.”

jun.17

1ª condenação

O juiz Sergio Moro condena Cabral por propina da Andrade Gutierrez vinculada à obra da Petrobras

jul.17

3º interrogatório

“Nunca houve propina. Houve apoios. Vejo que o Ministério Público sempre fala de delatores que se referem a 5%. Nunca houve 5%. Que 5% é esse? Que 5% era alguma coisa que vigia no governo Sérgio Cabral. Que maluquice é essa? O Ministério Público tem sido injusto em relação a isso.”

4º interrogatório

“Imagine se eu vou deixar 120 milhões de dólares com dois irmãos sem um documento. Morreram os rs. Renato e Marcelo Chebar, passam a ser titulares seus filhos e netas.”

set.17

2ª condenação (1ª de Marcelo Bretas)

Bretas condena Cabral pelo pagamento de propina da Andrade Gutierrez vinculada à obra do governo do estado

out.17

Bretas determina a transferência de Cabral para presídio federal, por ter visto sinais de ameaça na fala do acusado

6º interrogatório

“O senhor está encontrando em mim uma possibilidade de gerar projeção pessoal e me fazendo um calvário.”

nov.17

7º interrogatório

“Me exaltei e peço desculpa naquela discussão.”

dez.17

10º interrogatório

[Cabral se recusa a citar aliados para quem arrecadou caixa dois] “Isso implicaria citar companheiros meus, de lutas políticas.”

11º interrogatório

“Ele [dono da empreiteira FW] iria me ajudar em campanhas eleitoras. Eu abri mão de ajuda de campanha por essa ajuda que pedi para fazer [pensão e reforma da casa da ex-mulher].”

jun.18

13º interrogatório

“Foi nessa promiscuidade [com empresários] que eu me perdi, que eu usei dinheiro de campanha para fins pessoais. […] Eu não soube me conter diante de tanto poder e tanta força política, de uma maneira vaidosa, querer fazer prefeitos nas cidades, vereadores, deputados, usar recursos.”

Cabral e sua esposa, Adriana Ancelmo, abrem mão de bens para leilão e devolução ao estado, a fim de reduzir pena

dez.18

Ex-governador é condenado pela 9ª vez e acumula 198 anos e 6 meses de pena

jan.19

O advogado Márcio Delambert é o quinto advogado a assumir o caso e muda estratégia de defesa

fev.19

Depoimento ao Ministério Público Federal

“[Propina começou] Desde o início do governo. Se não foi janeiro, foi fevereiro, se não foi fevereiro, foi março. Foi quando começou a rodar a propina de fornecedores e prestadores de serviço.”

17º interrogatório

“Ao anunciá-lo [como secretário], eu cometi a primeira ação grave e totalmente descabida para um chefe de estado. Eu o apresentei a um empresário, que era o Arthur Soares, que na ocasião já liderava a gestão de serviços. Fiz questão de dizer 3% para mim e 2% para você em relação aos serviços da área de saúde. Esse meu erro de postura, de apego a poder, dinheiro, a tudo isso… É um vício.”

17º interrogatório

“Quero dizer que é verdade o fato de que o dinheiro dos irmãos Chebar era meu dinheiro, sim.”

17º interrogatório

“Dois anos e três meses preso, conversando comigo mesmo e com minha consciência. Por tudo o que minha mulher e minha família têm passado. Pelo sentido histórico do que tudo isso significa. Me lembrei muito de sua primeira observação em nosso primeiro interrogatório. Disse que estávamos vivendo uma situação histórica. Em nome da história, decidi falar a verdade e ficar de bem comigo mesmo.”

17º interrogatório

“Eduardo Paes jamais recebeu algum tipo de benefício. Entretanto, na campanha dele de 2008, o sr. Miguel Iskin deu R$ 1 milhão para a campanha dele. Arthur Soares deu cerca de R$ 3 milhões.”

“O do Pezão mandava entregar para ele. Eram 150 mil reais por mês.”

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