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Aliado de Doria, tucano Cauê Macris é reeleito para presidir Assembleia de SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado estadual Cauê Macris (PSDB), 35, foi reeleito presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo nesta sexta-feira (15) ao derrotar, por 70 votos a 16, a candidata do "‹PSL, Janaina Paschoal, novata na Casa, professora da USP e autora do impeachment de Dilma Rousseff (PT).

Os outros dois candidatos, Daniel José (Novo) e Mônica da Bancada Ativista (PSOL), receberam quatro votos cada.


Antes da eleição, os 94 deputados estaduais tomaram posse para a legislatura 2019-2022, em cerimônia marcada por alguns manifestos com referências à polarização política nacional --como a repetição de slogan de Jair Bolsonaro ou gritos de "Lula livre".

Entre os presentes, o governador João Doria (PSDB), os senadores Major Olímpio (PSL) e José Serra (PSDB), o prefeito Bruno Covas (PSDB) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República.

Costurada num tradicional acordo da Casa, incluindo o PSDB e o PT, a eleição de Cauê já era esperada. O petista Ênio Tatto foi eleito, com 70 votos, primeiro-secretário da Mesa.

Janaina Paschoal, eleita na esteira da popularidade de Bolsonaro, buscava a presidência sustentada por seu recorde de mais de 2 milhões de votos. Só tinha apoio do PSL, a maior bancada da Assembleia, com 15 eleitos, e do deputado Arthur Mamãe Falei (DEM).

Ao votar, Janaina afirmou que "não tem preço ver o PT brigando pelo PSDB", em referência à aliança entre os partidos. Ao votarem em Cauê, os petistas diziam estar a favor da democracia e contra o ódio, a intolerância e o radicalismo, em referência a Janaina.

Tanto antes como depois da votação, houve confusão e empurra-empurra entre deputados em razão de questionamentos do PSL sobre a candidatura de Cauê Macris.

O líder do partido, Gil Diniz, afirmou que não via como derrota a não eleição de Janaina. "O Cauê tem a máquina do governo." Ele prevê embates na legislatura entre o que chamou de "deputados digitais" e "deputados analógicos".

A distribuição de cargos da direção da Assembleia obedece há anos uma combinação tácita de proporcionalidade.

O PSDB, que tinha a maior bancada, e o PT, em segundo, costumam se aliar para angariar a presidência e a 1ª secretaria, respectivamente.

A eleição de 2018, porém, diminuiu o tamanho da bancada tucana, de 19 para 8, e jogou o PSDB em terceiro lugar, ao lado do PSB. O PT se manteve como segunda maior legenda, mas com 10, e não 14 deputados como antes.

Tucanos e petistas trabalharam para manter o acordo e isolar o PSL, que também deve ficar de fora da distribuição de comissões. Janaina condenou nas redes sociais essa política de conchavos, e seus apoiadores pressionaram os demais deputados até pelo WhatsApp, o que não surtiu efeito.

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A eleição de 2018 desenhou uma nova Assembleia, fragmentada (24 partidos) e renovada: 50 dos 94 eleitos não ocupavam um mandato na Casa na legislatura passada.

Mas muitos dos novatos já carregam bagagem política --ocuparam outros cargos eletivos, tinham experiência nas urnas ou parentes políticos.

Derrotado na eleição para a presidência, o PSL conta com algumas armas para dar dor de cabeça a caciques da Casa e ao governador João Doria.

Uma delas é o poder de ajudar a obstruir votações e dificultar a aprovação de projetos de interesse do tucano.

Outra munição é propor investigações para constranger o governo. A primeira já engatilhada é a sugestão de criar a CPI da Dersa, mirando os escândalos de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da estatal e apontado como operador do PSDB.

O PT diz já ter 20 das 32 assinaturas necessárias e pode dialogar com o PSL para isso.

A nova legislatura encontrará pela frente ainda as propostas de privatização e enxugamento da máquina pública consideradas prioritárias pelo governo Doria. Embora a pauta agregue base tucana, PSL e Novo, contrastará com benefícios ao funcionalismo defendidos por deputados.

Com a votação desta sexta, Cauê foi reconduzido à presidência que ocupou no biênio 2017-2019. Na ocasião, aos 33, tornou-se o mais jovem presidente da história da Assembleia, com 88 dos 94 votos.

Com pouco mais de 114 mil votos, foi o 21º mais votado em 2018. Suas contas da última campanha foram exploradas pelo PSL para desgastá-lo.

A suspeita está na compensação de cheques de R$ 266 mil da campanha de Cauê por um posto de combustíveis do qual o tucano é sócio, em Limeira (SP). Seu pai, o deputado federal Vanderlei Macris, compensou outros R$ 615 mil. A transação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O deputado diz que agiu dentro da lei e que sua prestação de contas foi aprovada na Justiça Eleitoral.

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