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Ataque terrorista transmitido ao vivo pelo Facebook deixa 49 mortos na Nova Zelândia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Durante 17 minutos, uma conta atribuída a Brenton Tarrant transmitiu ao vivo pelo Facebook, nesta sexta (15), o massacre realizado por ele contra duas mesquitas na cidade neozelandesa de Christchurch, que terminou com 49 mortos.

As imagens mostram o próprio Tarrant, um australiano de 28 anos, invadindo a mesquita de Al Noor, no centro da cidade. Ele é recebido com a saudação "Olá, irmão" e abre fogo contra os frequentadores. A câmera, colocada no capacete, emula a visão em primeira pessoa de games de tiro.


Tarrant foi preso pouco após ataque. No sábado (16, sexta no Brasil), a polícia confirmou sua identidade como principal suspeito e o denunciou por homicídio.

Uma segunda pessoa, Daniel John Burrough, 18, foi denunciada por incentivar crimes de ódio. Não está claro se mais pessoas participaram da ação. Os atos foram classificados pelas autoridades como terroristas.

Presente na mesquita no momento do ataque, Ramzan Ali disse à emissora TVNZ que viu um homem ser atingido. "Eu só pensava que ele [o atirador] precisava ficar sem balas", declarou. "O que eu fiz foi basicamente esperar e rezar: Deus, por favor, acabe com a munição dele."

As autoridades neozelandesas criticaram a divulgação das imagens, que continuavam disponíveis em redes sociais horas após o ocorrido. Facebook, Google e Twitter disseram que trabalharam para remover o material, mas foram questionadas pela demora em tomar providências.

O atirador percorreu todas as salas da mesquita, disparando contra os presentes, que tentavam fugir. Mais de 200 pessoas estavam no local no momento do ataque.

Uma delas foi Farid Ahmed, que usa cadeiras de rodas e participava das orações.

"Todo mundo estava instalado, estava tudo calmo, tranquilo, sossegado, como costuma ser. Quando o imã começa a falar, todo mundo fica em silêncio, você pode ouvir um alfinete caindo", afirmou ele à Radio New Zealand.

"Mas, de repente, começou o ataque. Começou no salão principal. O atirador deve ter entrado pelo corredor principal. E eu estava no salão lateral, então não vi quem estava atirando. Mas vi que algumas pessoas estavam fugindo, passando pelo cômodo onde eu estava. Também vi algumas pessoas sangrando e mancando", completou ele.

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Depois do ataque contra a primeira mesquita, houve tiros ainda no centro islâmico Linwood, mas não há confirmação sobre se o mesmo atirador participou das duas ações.

Foram 41 pessoas mortas na mesquita de Al Noor e sete na de Linwood. Uma pessoa morreu no hospital. Outras 42 pessoas ficaram feridas, incluindo duas em estado grave -uma delas uma criança de cinco anos.

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, disse que entre as vítimas há pessoas de diversos países, como Paquistão, Arábia Saudita, Turquia, Indonésia e Malásia.

Ela também disse que o suspeito não é residente na Nova Zelândia e costuma viajar para diversos países. Revelou ainda que ele tinha permissão para ter armas no país.

A polícia deteve quatro pessoas após o ataque: Tarrant, Burrough e outras duas pessoas que não foram identificada --ao menos uma delas foi liberada.

Horas antes, o perfil de Tarrant em uma rede social publicou um manifesto em que assume a autoria da ação e elenca líderes racistas americanos como seus heróis.

No texto, Tarrant disse que suas motivações incluíram "criar uma atmosfera de medo" e incitar a violência contra muçulmanos. Ele descreve o ataque como um ato terrorista e disse que transmitiria a ação pela internet.

Segundo o site australiando ABC, ele trabalhava como personal trainer e costumava atender crianças de forma gratuita.

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