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No Estado de SP, rodovia mais fiscalizada por radares tem menos mortes

No Estado de SP, rodovia mais fiscalizada por radares tem menos mortes

No Estado de SP, rodovia mais fiscalizada por radares tem menos mortes. A rodovia paulista mais vigiada por radares registrou 31% menos mortes em acidentes de trânsito do que a estrada com uma quantidade cinco vezes menor de medidores. Nos meses de janeiro e fevereiro dos últimos cinco anos, 78 pessoas morreram na Rio-Santos (SP-55), com 74 radares fixos. No trecho paulista da Régis (BR-116), com 14 radares, houve 113 mortes no mesmo período, segundo dados do Infosiga.

Desde 2015, o sistema paulista de segurança no trânsito registra as mortes por acidente, incluindo as que acontecem em hospitais, após a remoção das vítimas.

As duas rodovias têm quase a mesma extensão e estão entre as estradas mais violentas de São Paulo. A SP-55 começa em Miracatu e vai até Ubatuba, divisa com o Rio, percorrendo praticamente todo o litoral, ao longo de 336 km. O trecho paulista da Régis vai da capital à divisa com o Paraná – 300 quilômetros. A via federal é toda duplicada, enquanto a SP-55 tem um terço em pista dupla. As duas passam por serras e têm muitas curvas. Na Rio-Santos, há um radar a cada 4,5 quilômetros. Na Régis, a média é de um a cada 21,4 km.

Os dados do Infosiga mostram que, nos dois primeiros meses deste ano, o número de mortes foi quase igual nas duas estradas – 18 na Régis e 16 na Rio-Santos. No ano passado, essa diferença foi acentuada – 27 óbitos ante 10 – e se mantinha grande desde 2017, quando 28 pessoas morreram na via federal e 11 na estadual. Apenas em 2016 a SP-55 teve mais mortes que a BR-116 – 24 a 22. No ano anterior, houve 18 óbitos na Régis e 17 na Rio-Santos.

Conforme o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o elevado número de radares na SP-55 se justifica porque a rodovia corta muitas áreas urbanas. Do total, 39 são do tipo lombada eletrônica, equipamento que informa ao motorista a velocidade.

Opiniões

O motorista Anderson Simões, de 35 anos, faz entregas para uma transportadora de Santos e usa a estrada todo dia. “De Bertioga a São Sebastião, chega a ser incômodo tanto radar e lombada, mas acho que é preciso. Tem muito pedestre e ciclista”, observa.

Na Régis, a maior concentração de radares está nos 33 km da Serra do Cafezal, onde cinco sensores flagram motoristas acima de 60 km/h. De acordo com a concessionária Arteris Régis Bittencourt, entre 2010 e 2018 o número de acidentes no trecho de serra caiu 37% e o de mortes, 50%.

O caminhoneiro João Batista Valeriano, de 53 anos, trafega toda semana pela Régis e acha que faltam radares. “Tem muita serra onde o caminhão reduz, mas a gente precisa ficar olhando para trás, pois os carros vêm como loucos, acima do limite.” Ele relata que, no início do ano passado, um carro colidiu com a traseira do seu caminhão em Cajati. “Por sorte, o motorista não morreu, mas ficou bastante machucado. Corria demais.”

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que os radares da Régis foram adotados conforme solicitação do Departamento de Polícia Rodoviária Federal. Segundo a agência, não há previsão para novas instalações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

José Maria Tomazela
Estadao Conteudo
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