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‘Ovo’ liberta Cirque du Soleil do new age com funk, xaxado e bossa nova

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Aranhas contorcionistas, libélulas trapezistas e formigas malabaristas fazem acrobacias e dançam ao som de xaxado, funk e samba-canção.

“Ovo”, o espetáculo criado e dirigido pela coreógrafa carioca Deborah Colker para o Cirque du Soleil, chega ao Brasil em boa hora, segundo sua criadora.

Colker enxerga no enredo escrito há dez anos os temas do momento, como a questão dos expatriados, dos excluídos e da diversidade.

Na história, um inseto estrangeiro que carrega seu ovo nas costas é rejeitado por seus pares. Até ser aceito, são necessárias muitas peripécias coreográficas, acrobáticas e teatrais.

Tudo se passa num microcosmo do mundo animal visto com uma lente de aumento. Insetos ganham tamanho humano e seu habitat fica gigantesco. Folhas, flores e frutas em proporções enormes refletem o ponto de vista de formigas e pulgas.

Enquanto os artistas do circo dão saltos mortais ou dançam na parede de escalada (quase uma marca registrada da coreógrafa), o inseto rejeitado conhece uma joaninha também meio diferentona. Começa uma história de amor com final feliz. Estamos no circo.

“Escrevi a história há dez anos, mas continua atual. Os imigrantes, os párias da sociedade, os doentes são temas gritantes”, diz Colker.

Mas, hoje, o foco da diretora está mais em uma jornada interior, para encontrar suas forças ocultas e a cura do que não pode ser curado, diz ela.

“Cura” é o nome de seu próximo trabalho, previsto para estrear em 2021 no Southbank Center, em Londres.

Neste ano, Colker comemora os 25 anos de sua companhia apresentando obras do repertório no país e no exterior. Como o premiado “Cão Sem Plumas”, de 2017, que reestreia em São Paulo em maio, no Teatro Sérgio Cardoso.

Com a vinda de “Ovo” para o Brasil, Colker celebra também outro triunfo, o de ser a primeira mulher a dirigir um espetáculo do Cirque du Soleil.

A ligação da coreógrafa com a linguagem circense nasceu antes do ovo. Nos anos 1990, ela trabalhou com a Intrépida Trupe, companhia carioca pioneira do chamado novo circo, mistura contemporânea de dança, teatro e artes de picadeiro.

“Ovo”, de 2009, foi criado a partir de um convite feito por Guy Laliberté. Fundador e diretor-executivo do Cirque du Soleil, Laliberté se encantou com os espetáculos da companhia de Colker, especialmente com as coreografias verticais na parede de escalada.

Junto com a parede, Deborah levou o cenógrafo Gringo Cardia e o músico carioca Berna Ceppas para a montagem.

Para ser contratado, Ceppas passou por uma audição às cegas com outros dois nomes cogitados para a trilha, a francesa Émilie Simon e o baiano Carlinhos Brown. Deu empate e o voto minerva, de Colker, foi para o músico do Rio.

Do diretor-executivo do Cirque, Ceppas recebeu dois pedidos: percorrer o território musical brasileiro e terminar com uma música para levantar a plateia, fazendo todo mundo dançar.

A cena final é um forró, no qual o elenco convida o público para a festa.

Além de colocar canadenses, americanos, europeus, australianos ou japoneses para rebolar, é atribuída a Ceppas a façanha de libertar o Cirque da jaula do new age, gênero até então repetido exaustivamente nos espetáculos da companhia.

A trilha de “Ovo” vai por outras ondas, com baião, funk carioca, bossa nova, forró, samba-canção, carimbó.

É com uma bossa nova que a cantora Larissa Finocchiaro abre o segundo ato, cantando sozinha para as plateias sempre massivas do Cirque -em São Paulo, as apresentações são no Ginásio do Ibirapuera, com capacidade para quase 6.000 espectadores.

Cantora e multi-instrumentista, Larissa foi iniciada na música pelo projeto Guri. O programa de educação musical gratuita para crianças quase foi extinto na proposta de cortes no orçamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. Mas, após recuo do governador João Doria, foi mantido na íntegra.

Em sua primeira experiência no universo dos megashows internacionais, Larissa vai acompanhar a companhia na turnê pela América do Sul. “Já fugi com o circo”, diz a cantora.

OVO

QUANDO Ter.; qua. a sex., às 21h; sáb., às 17h e às 21h; dom., às 16h e às 20h

ONDE no Ginásio do Ibirapuera, r. Manoel da Nóbrega, 1.267, São Paulo. Até 12/5

QUANTO Ingr.: R$ 130 a R$ 580. Livre

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