Asia

EUA devem perder fatia no mercado de soja da China por guerra comercial, diz conselho

CHICAGO (Reuters) – Os Estados Unidos provavelmente perderão permanentemente participação no mercado de soja na China, em meio à prolongada disputa comercial entre os dois países, disse o principal executivo do Conselho de Exportação de Soja dos EUA (USSEC) nesta sexta-feira.

É improvável que a China volte a importar volumes recordes de soja dos EUA, como fez o maior consumidor de soja do mundo até 2016, mesmo que as negociações entre os dois países sejam concluídas rapidamente, disse Paul Burke, diretor-sênior de marketing de soja do USSEC, em uma teleconferência com a mídia.

As exportações de soja dos EUA para a China, maior mercado mundial, despencaram 74% no ano passado, após Pequim ampliar tarifas sobre a oleaginosa norte-americana em julho, em retaliação às taxas impostas pelos EUA sobre produtos chineses.

A troca de tarifas na guerra comercial entre os países empurrou os preços da soja para mínimas de uma década, prejudicou a renda agrícola dos EUA e levou a indústria a uma batalha para encontrar mercados alternativos para exportações.

As tensões comerciais avançaram na semana passada, quando o presidente norte-americano, Donald Trump, aumentou tarifas sobre 200 bilhões de dólares em bens chineses, levando a China a impor maiores taxas a 60 bilhões de dólares em importações dos EUA.

“Quanto mais tempo ficarmos fora do mercado chinês, maior a probabilidade de que não recuperemos toda a fatia do volume que tivemos no passado”, disse Burke.

“Se uma solução surgisse em um período mais curto de tempo… a China permaneceria sendo nosso maior mercado exportador, mas não acredito que veríamos os níveis recordes que tivemos em anos recentes”, completou.

A China, que importa cerca de 60% da soja comercializada no mundo, substituiu os grãos norte-americanos adquirindo mais soja da América do Sul, principalmente no Brasil. Segundo Burke, Pequim irá buscar amplamente por novos fornecedores.

O USSEC vem trabalhando para desenvolver novos mercados para a soja norte-americana e alavancar a demanda de consumidores já existentes. Ainda que nenhum mercado único seja suficiente para substituir a demanda chinesa, uma combinação de mercados menores pode fazê-lo a longo prazo, finalizou Burke.

(Por Karl Plume)

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