Asia

China procura adiar embarques de soja dos EUA de julho para agosto, dizem fontes

Por Hallie Gu e Karl Plume

PEQUIM/CHICAGO (Reuters) – Os compradores de soja da China estão pedindo aos vendedores nos Estados Unidos para que adiem para agosto os carregamentos previstos para julho, segundo duas fontes familiarizadas com o assunto, aumentando temores de cancelamentos, que já abalaram o mercado no ano passado.

As renegociações contratuais vêm à medida que as duas maiores economias do mundo permanecem travadas em uma longa disputa comercial, que levou a China a reduzir substancialmente, desde a metade do último ano, as aquisições da oleaginosa junto a seu segundo maior fornecedor.

As importações de soja provenientes dos EUA praticamente zeraram no segundo semestre de 2018, antes de a China acertar a compra de quase 14 milhões de toneladas com agricultores norte-americanos entre dezembro e março, durante uma trégua temporária na guerra comercial.

Mais de 6 milhões dessas toneladas já foram enviadas à China, mas cerca de 7 milhões de toneladas compradas antes de as negociações colapsarem em maio ainda precisam ser entregues.

As empresas estatais chinesas estão buscando adiar os embarques de cerca de 2 milhões de toneladas para agosto, disse uma fonte com conhecimento direto do assunto.

“Ainda não está cancelado. Mas é estranho que agora (as estatais) queiram, de repente, adiar todos os embarques de julho em um mês”, afirmou a fonte.

Um corretor de exportações norte-americano confirmou que foi abordado pelos compradores chineses para que atrasasse os carregamentos que vendeu a eles, e que estava trabalhando para executar o pedido.

As duas fontes se recusaram a ser identificadas, uma vez que não estão autorizadas a falar com a imprensa.

A Sinograin, que gerencia as reservas de soja da China, não respondeu a um pedido de comentário via fax. A grande trader estatal de grãos Cofco não respondeu a um e-mail enviado para seu departamento de imprensa.

Os adiamentos podem aumentar os problemas já enfrentados pelos exportadores norte-americanos, que possuem um volume de soja sem precedentes ainda a embarcar, afetados também pelo problema logístico causado pelas enchentes no Meio-Oeste dos EUA.

Uma terceira fonte, um operador de uma empresa de trading internacional com base em Pequim, disse duvidar que todos os vendedores norte-americanos estejam dispostos a adiar os embarques.

Segundo as fontes, a mudança para agosto não é um grande problema, mas qualquer adiamento subsequente seria problemático, com a colheita da nova safra dos EUA, prevista para setembro, prometendo inflar estoques e derrubar os preços.

A China teria de arcar com pesadas multas se tentasse cancelar os pedidos, e ainda precisa da soja encomendada, disseram operadores.

De acordo com uma das fontes, talvez Pequim esteja tentando ganhar mais tempo com o atraso, mantendo a opção de ainda cancelar os embarques se suas negociações comerciais com Washington não progredirem.

(Reportagem de Hallie Gu em Pequim e Karl Plume em Chicago, com reportagem adicional de Dominique Patton)

tagreuters.com2019binary_LYNXNPEF5C1QQ-VIEWIMAGE

To Top