Internacional

Boca de urna mostra resultado indefinido em eleição de Israel

Segundo pesquisas de boca de urna divulgadas pelos principais canais de TV de Israel, o futuro do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu é incerto depois das eleições realizadas nesta terça-feira (17).

Os números não dão vitória a nenhum candidato, o que complica as perspectivas de formação de governo e leva o país a mais uma temporada de instabilidade política.

Essa é a segunda eleição em cinco meses. Após o pleito de abril, Netanyahu não conseguiu formar governo. São necessárias 61 das 120 cadeiras do Knesset (Parlamento) para que uma coalizão tenha o poder de indicar o premiê –sem definição de um novo líder, Netanyahu segue no cargo.

De acordo com todas as pesquisas divulgadas, os opositores de centro-esquerda do Azul e Branco, encabeçado pelo ex-chefe do exército Benny Gantz, receberam mais votos do que o governista Likud.

Pelas estimativas do Canal 12, o Azul e Branco recebeu 34 das 120 cadeiras do Parlamento israelense contra 33 da sigla de Netanyahu. Já o Canal 13 indica 33 para o Azul e Branco e 31 para o Likud. Uma terceira pesquisa, realizada pelo Canal 11, aponta 32 assentos para o Azul e Branco contra 31 cadeiras para o Likud.

As seções eleitorais abriram às 7h e fecharam às 22h (16h em Brasília) sem registros de problemas durante a votação. A divulgação dos resultados oficiais será iniciada nesta quarta (18), mas pode ser concluída apenas na quinta (19).

Os resultados fortalecem as perspectivas de que Netanyahu não consiga formar seu quinto termo consecutivo. Tampouco deixam claro se Gantz conseguirá costurar o próximo governo: “É difícil que tenhamos uma conclusão neste momento, é uma noite dramática”, diz o analista político Amit Segal, do Canal 12.

O que já pode ser considerado certo é que Netanyahu não conseguiu o resultado que necessitava. Segundo as estimativas de boca de urna, o bloco de partidos de direita conseguiu entre 53 e 57 cadeiras.

O bloco de esquerda também não atingiu os 51%, conquistando de 56 a 59 assentos.

O fiel da balança será o partido ultranacionalista Israel Nossa Casa, que não faz parte de nenhum dos blocos. O líder do partido, o ex-ministro da Defesa e ex-chanceler Avigdor Lieberman, se fortaleceu, recebendo entre oito e nove assentos, de acordo com os levantamentos. Ele deverá ser o político mais cortejado das próximas semanas.

Netanyahu, 69, é o premiê israelense que ocupou o cargo por mais tempo. Tendo exercido a função inicialmente de junho de 1996 a julho de 1999, ele vem se mantendo no posto desde março de 2009. Assim, se estabeleceu como um importante representante da direita na política mundial.

Foi assim que se tornou um aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro. Também mantém ótimas relações com o mandatário dos EUA, Donald Trump.

Em meio à indecisão, o mais importante é a distribuição das cadeiras pelas coalizações de centro-direita e de centro-esquerda. Contra Gantz, pesam as divergências com o Israel Nossa Casa, enquanto Netanyahu tem em seu histórico uma crise com seu ex-aliado.

Após o pleito de abril, Lieberman fez exigências de uma coalizão com partidos de extrema-direita e religiosos. O atual primeiro-ministro não conseguiu contemporizar e teve de convocar novas eleições.

Desta vez, caso seja indicado novamente para formar o governo, o premiê terá que trabalhar por um acordo com o líder ultranacionalista. Uma das possibilidades seria a oferta de rotatividade para o cargo de primeiro-ministro.

Na busca pelos 61 assentos, Gantz teria que convencer a Lista Árabe Unida, terceira maior força política do país, que teria conquistado entre 13 e 15 cadeiras, a apoiar formalmente a coalizão encabeçada pelo Azul e Branco.

O líder do partido, Ayman Odeh, já disse que ficará na oposição, minguando as chances de coalizão de esquerda.

Outra possibilidade é que Likud e Azul e Branco formem um governo de união nacional. Mas, para isso acontecer, tanto Netanyahu quanto Gantz teriam que aceitar a divisão de poder e a alternância no cargo após dois anos.

O primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh, sugeriu nenhum dos principais candidatos ajudará numa solução para o conflito árabe-israelense. “Hoje há eleições em Israel. E, francamente, a diferença entre Benny e Bibi é como a diferença entre Pepsi Cola e Coca-Cola”, disse.

Depois da conclusão do pleito, caberá ao presidente de Israel, Reuven Rivlin, decidir qual líder tem mais chance de formar um governo viável.

Caso ninguém seja bem-sucedido na missão, é possível que seja convocada mais uma eleição para o início de 2020.

To Top