Membros do comitê do Nobel de Literatura deixam cargo e lamentam lentidão de mudanças

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Busto de Alfred Nobel coberto de neve em frente ao Instituto Noreguês do Nobel, em Oslo

ESTOCOLMO (Reuters) – Dois membros externos do comitê do prêmio Nobel de Literatura se demitiram nesta segunda-feira, um deles alegando que a tarefa de reformular a Academia Sueca estava demorando demais.

A organização de 233 anos foi obrigada a introduzir diversas novas medidas após um escândalo sexual envolvendo o marido de uma ex-integrante da academia evoluir ao ponto de o Nobel de Literatura de 2018 precisar ser adiado.

Uma das ações tomadas foi adicionar membros externos para ajudar o comitê a pré-selecionar candidatos ao prêmio.

“Eu deixo meu cargo no Comitê do Nobel porque não tenho nem paciência nem tempo para esperar pelo resultado do trabalho de mudar o que já foi iniciado”, disse o autor Kristoffer Leandoer em uma reportagem publicada pelo jornal Svenska Dagbladet. “A Academia e eu temos uma perspectiva diferente de tempo: um ano é tempo demais na minha vida e pouco tempo na vida da Academia”.

Leandoer disse que a demissão não estava relacionada à decisão de premiar o controverso escritor austríaco Peter Handke em 2019, pela qual a Academia recebeu críticas nacionais e internacionais.

A Academia confirmou que Leandoer e Gun-Britt Sundstrom haviam deixado o comitê do Nobel, que, até hoje, era composto por quatro membros da Academia Sueca e cinco externos.

Sundstrom não pôde ser imediatamente contactado para comentar o caso.

“Somos gratos pelo esforço significativo que eles fizeram ao longo do ano e estamos agora revendo como o trabalho do comitê do Nobel será organizado para o prêmio Nobel de Literatura de 2020”, disse Mats Malm, secretário permanente da Academia Sueca, em um comunicado.

(Johan Ahlander)

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