Com audiência em alta, 'Topíssima' mostra potencial da Record em novelas contemporâneas
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Com audiência em alta, 'Topíssima' mostra potencial da Record em novelas contemporâneas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Sem enredo bíblico, “Topíssima” elevou a audiência da Record ao trazer uma história contemporânea e mais próxima da realidade de seus telespectadores, como a questão do aborto clandestino e o uso de drogas por jovens.
“São temas que pertencem, infelizmente, ao dia a dia de muitos brasileiros. Falar sobre eles e refletir, é um passo para encontrarmos soluções”, diz Cristianne Fridman, autora do folhetim, que teve direção de Rude Lageman. 
No PNT (Painel Nacional de TV), a novela tem média de 9 pontos no Kantar Ibope (cada ponto equivale a 254.892 domicílios). Em novembro passado, a mudança de horário da trama impulsionou um pouco mais a audiência nesta reta final. No horário das 20h30, a obra de Fridman tem registrado média e pico de audiência próximos dos dez pontos na Grande São Paulo -cada ponto corresponde a 73 mil domicílios.
Camila Rodrigues, 36, que interpreta a empresária Sophia (protagonista da trama), também corrobora com a autora e afirma que a novela causou uma grande identificação com o público. “Conseguimos fazer as pessoas se identificarem com vários personagens, desde o início. Essa relação foi muito grande.” 
Doutor em teledramaturgia pela USP (Universidade de São Paulo), Claudino Mayer afirma que o sucesso obtido pela novela foi uma resposta à Record.  “Novelas como ‘Topíssima’ dão um respiro e causam um diálogo para o telespectador, ele saí do mundo bíblico”, afirma Mayer, que diz não acreditar que as tramas contemporâneas tomem o espaço das bíblicas. 
Ele diz acreditar que os números positivos de audiência são resultados de “elementos característicos de telenovelas” presentes na trama. Mayer compara a narrativa de Fridman com “Bom Sucesso”, trama das 19h da Globo. “São coisas semelhantes que agradam o público. Isso é bom, porque coloca a Record como uma concorrente direta da Globo, por exemplo. A Record tem potencial para isso.”
“Espero que a Record perceba que elas [novelas atuais] são um respiro. Nós sentimos essa carência de falar, de dialogar com esse público mais contemporâneo. É claro que as tramas bíblicas também conversam, mas de um contexto que a gente precisa trazer para a nossa realidade”, explica o especialista. 
Sobre os temas das tramas, Fridman desconversa e evita comparações. “Penso que novela é novela, e ter propostas diferentes, em horários diferentes, é algo comum em toda emissora.” A autora também faz elogios ao casal protagonista, composto por Camila Rodrigues e Felipe Cunha (Antônio): “Eles foram além das minhas expectativas. Apaixonantes.”
Já Camila Rodrigues afirma que, em uma novela bíblica, o tempo é diferente. “As mulheres têm um lugar diferenciado, você tem sempre essa questão de ter um homem à frente. Para mim não foi esse dilema entre novela bíblica e atual, eu queria fazer uma mulher poderosa dos dias atuais.”
A atriz diz ainda que estava com vontade de participar de dramaturgia mais contemporânea depois de atuar em uma sequência de tramas bíblicas. Ela ressalta que, na novela com temais atuais, tem a possibilidade de desenvolver mais facetas de suas personagens se comparado às tramas bíblicas. 
Sophia Alencar teve papel importante para mostrar o empoderamento da mulher que, segundo Rodrigues, só foi possível pela narrativa contemporânea. No enredo, o romance da sua personagem foi o ponto alto para Rodrigues.
“Ela [Sophia] sempre foi uma pessoa independente, workaholic, e não sabia que no fundo tinha um vazio. Ela percebeu que felicidade não é só viver sozinha. Essa mudança de pensamento de vida foi o seu ponto alto”, diz a atriz.
Em relação ao processo de construção da protagonista, a artista afirma que foi algo bem natural. Antes das gravações, Rodrigues e Cunha não se conheciam. Agora, segundo a atriz, eles são amigos. “Eu tenho muito a personalidade de Sophia, e ele a do Antônio, por isso foi fácil fazer esse casal.” 
Prestes a atuar novamente em uma novela bíblica nas telinhas da Record, em “Gênesis”, Camila Rodrigues diz estar animada com a mudança repentina. “Eu não esperava. É muito interessante quando você pega um trabalho completamente diferente, em ritmo diferente. Sou gratíssima.”
‘TOPÍSSIMA 2’
As especulações de uma possível continuação de “Topíssima”, em 2020, não param de crescer. Apesar de Cristianne Fridman dizer que “desconhece esta possibilidade”, o diretor-geral, Rudi Lagemann, afirmou em recente entrevista ao R7, que a segunda temporada da novela será ambientada em Salvador, mas ainda não tem uma previsão de estreia.
“Fico entusiasmado com a possibilidade de produzir ‘Topíssima 2’ e acredito que seja um sentimento compartilhado pelo elenco, equipe e público. A Record tem uma tradição de dar segunda temporada a produtos bem-sucedidos da casa”, contou Lagemann.
Questionada sobre a novidade, Camila Rodrigues não dá certeza, mas também não esconde sua empolgação em estrelar a segunda parte da trama de Fridman. “Fomos pegos de surpresa com essa possibilidade. A gente não sabia de nada, vimos na imprensa, então não tenho como confirmar. Se acontecer, será para o segundo semestre de 2020. Torço para que aconteça, eu vou adorar. Estamos esperando.”
A ambientação da trama na Bahia tem a ver com o bom desempenho da audiência em Salvador. De acordo com dados da Record, a média da novela está em torno de 17 pontos desde a data de estreia da obra de Fridman. Cada ponto do Kantar Ibope corresponde a 13 mil domicílios.
O sucesso do folhetim na capital baiana fez com que a emissora gravasse uma cena extra para o final da história, prevista para ser exibida na próxima segunda (9).
Na visão de Claudino Mayer, “Topíssima” poderia ter alcançado alto nível de audiência não só em Salvador, mas em outras cidades e estados, se não tivesse sido praticamente toda gravada. “Ela não acompanhou as respostas do público para que a autora pudesse criar alguns atalhos na trama”, afirma Mayer, que destaca este como um ponto negativo da novela.
“É importante uma telenovela adequar determinadas tramas e personagens para que o público passe a ter uma identificação maior e, por isso, uma proximidade. Não é uma questão da autora e, sim, da estrutura da própria emissora”, explica o especialista. 

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