Premiê italiano Conte nomeia novos ministros e define agenda política para 2020

Mix Vale

Por Gavin Jones

ROMA (Reuters) – O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, nomeou dois novos ministros neste sábado para substituir seu ministro da Educação, que pediu demissão esta semana, e delineou uma agenda ambiciosa para o próximo ano, incluindo reforma do sistema judiciário e da burocracia estatal.

Em uma entrevista coletiva de final do ano que durou três horas, Conte acusou o líder da oposição de direita, Matteo Salvini, de comportamento político “traiçoeiro” e apelou por unidade da frágil coalizão que apoia seu próprio governo.

“A política não precisa de conflitos. Polêmicas e demarcação de nossas diferenças não nos ajudam”, disse Conte em referência às brigas frequentes entre o Movimento 5-Estrelas, o Partido Democrata (PD), de centro-esquerda, e partidos menores de centro e de esquerda.

Preenchendo a lacuna deixada depois que o ministro da Educação Lorenzo Fioramonti, do anti-establishment Movimento 5-Estrelas, renunciou na quarta-feira por reclamar de recursos insuficientes, Conte disse que estava dividindo o ministério em dois.

Ele nomeou Lucia Azzolina, também do 5-Estrelas e anteriormente ministra júnior de Fioramonti, como nova ministra das escolas, e nomeou o tecnocrata não partidário Gaetano Manfredi, reitor da Universidade de Nápoles, como ministro das universidades e pesquisas.

Três senadores do Movimento 5-Estrelas deixaram a legenda este mês para se unir ao partido Liga, de Salvini, e alguns políticos dizem que outros parlamentares do movimento cada vez mais dividido estão prontos para se juntar a um novo grupo parlamentar liderado por Fioramonti, mas leal a Conte.

O primeiro-ministro disse que, se tais medidas estavam em andamento, ele as desaprovava e não tinha nada a ver com elas.

Não quero que parlamentares usem meu nome para formar um novo grupo que apenas tornaria o governo menos estável”, afirmou.

Conte, um tecnocrata sem filiação partidária, era originalmente próximo ao 5-Estrelas, mas tem recebido elogios crescentes do PD desde que o governo foi formado, em setembro, e agora é por vezes cogitado como um futuro líder de centro-esquerda.