Diante de pandemia, PM de SP adota ações humanitárias contra saques e contágio
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Diante de pandemia, PM de SP adota ações humanitárias contra saques e contágio

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O avanço da pandemia do novo coronavírus no estado de São Paulo, com 22 mortes e 631 casos confirmados, levou a Polícia Militar a adotar um esquema inédito de policiamento: todo o efetivo será empregado para manter a paz social, o que inclui prevenção a saques ao comércio, mas com ações humanitárias destinadas a tentar conter a proliferação da doença contagiosa na população e na tropa.
Essas ações humanitárias vão desde informações ao público sobre o trabalho de prevenção da doença a serviços destinados a idosos que moram sozinhos e necessitam de ajuda.
As mudanças no policiamento incluem a forma como os policiais farão abordagens de suspeitos. Só serão realizadas revistas pessoais em situações absolutamente necessárias, quando os indicativos contra o possível criminoso forem muito fortes, e, mesmo assim, com medidas especiais de prevenção: com luvas, máscaras clínicas e óculos de proteção.
Se o suspeito estiver doente, como uma gripe ou resfriado, ele também deverá receber máscara para não contaminar as equipes policiais. Após eventual transporte de pessoas para distrito policial, os veículos policiais também passarão por higienização. Todas as viaturas também estão recebendo álcool para essa ajudar nessas medidas de prevenção.
De acordo com a PM, as operações que vinham sendo desenvolvidas desde o ano passado –praticamente uma a cada dois dias, como “São Paulo Mais Segura”, “Servir e Proteger”, “Paz e Proteção”– serão suspensas, e o efetivo realocado para locais de maior concentração de pessoas, como supermercados, farmácias e estabelecimentos cujo funcionamento não foi proibido pelo governo paulista que, neste final de semana, decretou quarenta por 15 dias.
“Se a situação progredir para uma situação mais complexa, com saques, depredações, com algum tipo de vandalismo, nós precisamos ter esse direcionamento da tropa”, disse o tenente-coronel Emerson Massera, porta-voz da corporação.
“Nós trabalhamos com cenário prospectivo, avaliando todo tipo de cenário, porque a polícia não pode ser surpreendida. A polícia tem que estar preparada para qualquer tipo de coisa que vier a acontecer. Não esperamos que o cenário evolua a ponto tão ruim assim, com saques e depredações. De qualquer forma, estaremos preparados”, afirmou ele.
Por ora, a polícia registrou apenas um caso isolado, na semana passada, de saque a um mercado na zona leste da capital. Pelos registros feitos, um grupo com cerca de 30 pessoas invadiu o estabelecimento e levou um cerca de R$ 8.000 de produtos entre cigarros, chocolates e bebidas. Parte do grupo foi presa, e os produtos foram recuperados.
O policiamento também será direcionado para bairros mais residenciais já que, nos centros comerciais, o fluxo de pessoas caiu quase a zero. Nesta segunda-feira (23), o comando da corporação também definirá as estratégias para cumprimento da quarentena decretada no estado.
“Vamos colocar nossa força máxima para justamente proteger as pessoas, para que elas possam ficar em casa de maneira tranquila. Nossa grande missão é, agora, humanitária. Nosso grande objetivo é cuidar das pessoas”, disse.
Segundo os números da PM, o volume de pedidos de socorro da população feitos pelo telefone de emergência 190 não têm apresentado grandes alterações. Nos primeiros 19 dias de março no passado, por exemplo, a PM recebeu 214 mil ligações. Já neste ano, no mesmo período de medições, foram 219 mil acionamentos para o centro de operações da polícia.
Além de campanhas de doação de sangue, de que já estão participando estado afora, os PMs estão sendo treinados para promover medidas preventivas, orientar a população sobre como evitar o contágio, além de pedir para que fiquem em casa aqueles que não respeitarem o confinamento social solicitado pelas equipes médicas.
Nesta segunda-feira (23), a PM deve receber um lote inicial de 600 mil máscaras clínicas, a ser distribuído para todo o efetivo no estado. As compras estão sendo realizadas pelas regiões do estado, descentralizadas, pois a corporação enfrenta dificuldades para fazer uma compra única pelo centro de suprimento da capital.
A PM também está produzindo material informativo para A própria tropa, com orientações sobre como limpar os equipamentos de uso comum com álcool, como rádio comunicador, por exemplo. “Para o policial proteger alguém, ele precisa estar protegido”, disse Massera.
Como a corporação não tem praticamente nenhum policial com idade superior a 60 anos, um vídeo foi produzido para os policiais aposentados, afirmando que o momento é de ficar em casa.
Ainda quanto aos cuidados com a tropa, a PM triplicou a capacidade de atendimento em UTIs (unidades de terapia intensiva) no hospital da corporação e montou plano para afastamento de policiais com suspeitas de contaminação.
Todos os cursos de formação também foram suspensos.
De acordo com Massera, as discussões sobre as consequências do coronavírus na segurança pública começaram ainda em janeiro, quando a diretoria da saúde da PM passou a monitorar os casos pelo mundo e abastecer os órgãos de planejamento operacional. “Esperamos que esse planejamento seja importante, seja decisivo, para que o impacto seja o menor possível.”

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