Via Varejo tem prejuízo de R$875 mi no 4º tri após encontrar evidências de fraude contábil
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Via Varejo tem prejuízo de R$875 mi no 4º tri após encontrar evidências de fraude contábil

SÃO PAULO (Reuters) – A Via Varejo encerrou o quarto trimestre do ano passado com prejuízo contábil de 875 milhões de reais, afetado por ajustes não recorrentes de 953 milhões de reais, de acordo com dados disponíveis na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na madrugada desta quinta-feira.

No último trimestre de 2018, a companhia teve prejuízo de 282 milhões de reais.

Excluindo os ajustes não recorrentes, entre eles contingências de 1,3 bilhão de reais, grande parte ligada à investigação de fraude contábil, a dona das redes Casas Bahia e Ponto Frio teve um lucro operacional de 78 milhões de reais nos últimos quatro meses do ano passado.

A companhia também comunicou que foram encontradas evidências de fraude contábil em seus resultados após conclusão de investigação independente na esteira de denúncias anônimas recebidas pela Via Varejo em setembro e outubro de 2019.

Conforme o relatório, houve manipulação da provisão para processos trabalhistas da companhia e diferimento indevido na baixa de ativos e contabilização de passivos fora de suas respectivas competências mensais. Também ocorreram falhas de controles internos resultando em erros nas contas de provisão para processos trabalhistas e depósitos (garantias) judiciais.

“O valor final apurado dos ajustes às demonstrações financeiras do quatro trimestre de 2019, decorrentes dos achados da Investigação, incluindo efeitos de fraudes, erros e mudanças de estimativa, é de 1,190 bilhão de reais (786 milhões líquidos de impostos)”, afirmou em fato relevante.

Desse total, aproximadamente 1,169 bilhão de reais se referem a correção de erros e de mudanças de estimativa no intuito de refletir de maneira mais precisa os riscos da companhia e 20,8 milhões de reais aos efeitos das fraudes identificadas ao longo da investigação.

O GPA, que era controlador da Via Varejo até meados do ano passado, quando a companhia foi vendida à família Klein, afirmou em comunicado que não teve acesso às investigações da rede de móveis e eletrodomésticos e que vai pedir à empresa cópias dos documentos.

A companhia de varejo alimentar também ressaltou que os ajustes feitos na contabilidade pela Via Varejo não têm “tem qualquer impacto” sobre as demonstrações financeiras consolidadas do GPA. O grupo reafirmou que a contabilidade da Via Varejo, enquanto a empresa era controlada do GPA, “sempre foi elaborada de acordo com critérios uniformes e consistentes, tomando-se como base as melhores práticas contábeis e normas vigentes” e que os órgãos de controle sempre contaram com membros da família Klein.

O GPA citou ainda que vai analisar os documentos a serem recebidos da Via Varejo e que tomará “medidas cabíveis para a ressarcimento dos prejuízos – inclusive à sua imagem – que a atuação e os eventuais excessos da Via Varejo e seus atuais administradores e controladores no trato da denúncia anônima que motivou tais investigações porventura venham a causar ao GPA”.

DADOS OPERACIONAIS

No quarto trimestre, a Via Varejo teve receita líquida de 7,6 bilhões de reais, acréscimo de apenas 1,1% frente ao mesmo período do exercício anterior, enquanto a receita bruta cresceu 3,9%, para 8,875 bilhões de reais, com margem bruta de 30,2%, ante 26,5% um ano antes.

O GMV total, que considera as vendas totais no comércio eletrônico e nas lojas físicas, somou 9,363 bilhões de reais, aumento de 7,3% na comparação ano a ano, sendo que o GMV apenas do e-commerce cresceu 34,9%, para 2,272 bilhões de reais.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou 605 milhões de reais de outubro a dezembro do ano passado, uma alta de 91,4% frente ao mesmo intervalo de 2018. A margem Ebitda ajustado quase dobrou, de 4,2% para 8%.

A Via Varejo disse que encerrou o quarto trimestre com caixa líquido ajustado com recebíveis não descontados no total de 2,213 bilhões de reais, contra 4,442 bilhões de reais um ano antes. Desse total, a empresa tinha em caixa e equivalentes de caixa 1,364 bilhão de reais.

(Por Paula Arend Laier)

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