Por Maximilian Heath e Hugh Bronstein
BUENOS AIRES (Reuters) – “Meninos, a partir de agora cada um traz seu prato, sua faca e seu garfo. E os mates não são mais compartilhados”.
A decisão do produtor agrícola Javier Domínguez deve ter ressoado com força entre os funcionários de sua granja localizada em Luján, na província de Buenos Aires, o distrito agropecuário mais importante da Argentina, uma das principais produtoras de alimentos do mundo.
Mas em particular, a última sentença: a restrição ao compartilhamento do mate, um bebida consumida através de um único recipiente passado de mão em mão, que é parte vital da figura do argentino.
Como em outros países, porém, o coronavírus se expande na Argentina –onde já foram registrados 1.054 casos e 27 mortes–, e a luta contra a disseminação da doença mudou os hábitos locais, tanto que o caso dos produtores agrícolas e seus costumes não é uma exceção.
“Estou preocupado e por isso estamos seguindo protocolos, como por exemplo não deixar ninguém entrar, exceto aqueles estritamente relacionados à colheita”, disse Juan Minvielle, produtor no nordeste de Buenos Aires, pedindo desculpas à Reuters por não poder permitir o acesso da equipe de imprensa ao seu campo, visando evitar riscos de contágio.
No campo de Minvielle, as compras de suprimentos agora são tarefa de apenas uma pessoa, e as novas regras impedem também que alguém acompanhe o motorista da colheitadeira — a carona costuma ser um local privilegiado para se avaliar o estado das lavouras.
Enquanto isso, as dificuldades para se transferir os grãos para os portos, devido às restrições municipais ao trânsito de caminhões, obrigaram alguns produtores a armazenar os produtos em sacos, apesar de as condições climáticas não serem adequadas.
“Está se formando a tempestade perfeita”, disse Domínguez. Embora a colheita ainda não tenha começado em sua fazenda, ele afirmou que quando isso ocorrer, permitirá a entrada dos caminhões.
“As precauções devem ser tomadas, mas ninguém pode esperar que entrem em seu campo como se estivessem entrando em um centro cirúrgico”, explicou.
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447745))
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