'La Casa de Papel' volta violenta, frenética e surpreendente, ainda que pareça perder parte do fôlego
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'La Casa de Papel' volta violenta, frenética e surpreendente, ainda que pareça perder parte do fôlego

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “La Casa de Papel” estreou em 2017 no canal aberto espanhol Antena 3. Era uma minissérie de só 15 capítulos, com cerca de 70 minutos cada um.
No final daquele ano, foi lançada mundialmente pela Netflix. A plataforma reeditou os episódios originais e os transformou em 21, com 45 minutos cada um, uma duração mais de acordo com o padrão internacional. Também os separou em duas partes, às quais chamou de temporadas.
Quando a segunda temporada foi disponibilizada pelo serviço em abril de 2018, “La Casa de Papel” já havia se tornado um fenômeno global. A série ganhou um Emmy Internacional, e a Netflix anunciou que era seu título em língua não inglesa mais visto no mundo.
“La Casa de Papel” então se transformou numa série com temporadas regulares. Mas como fazer o raio cair duas vezes no mesmo lugar?
As duas primeiras fases do programa, para quem ainda não sabe, tratam de um assalto à Casa da Moeda espanhola. Os integrantes do bando se disfarçam usando máscaras de Salvador Dalí e se chamam entre si por nomes de cidades, como Tóquio, Rio ou Denver. A trama acaba (lá vem spoiler) com o grupo desfrutando dos frutos do roubo em lugares paradisíacos, apesar de algumas baixas.
A solução encontrada pelo showrunner Álex Pina foi a mais óbvia – outro assalto. Desta vez, ainda mais arriscado e espetacular, à sede do Banco da Espanha, em Madri.
A tão esperada terceira temporada chegou à Netflix em julho de 2019. A quarta, que acaba de estrear, é a segunda parte deste segundo assalto. E os fãs não irão se decepcionar.
Algumas perguntas deixadas em suspenso desde o ano passado são respondidas logo de cara, como o destino de Nairóbi, baleada numa emboscada. Tampouco faltam surpresas, como o surgimento de um novo e letal adversário entre os reféns do grupo.
De modo geral, está ainda mais violenta, e a edição sugere um ritmo vertiginoso.
Outro ingrediente que está de volta é uma canção italiana como tema não oficial, papel cumprido por “Bella Ciao” nas primeiras temporadas. A bola da vez é a romântica “Ti Amo”, de Umberto Tozzi, de 1977.
Quem meio que caiu para segundo plano é o personagem do Professor. O cérebro do bando controlou à distância o primeiro assalto e, apesar de percalços, nunca perdeu o sangue frio. Sua armadura começou a rachar quando ele se apaixonou pelo inimigo – a inspetora Raquel, que acabou trocando de lado e adotando o codinome Lisboa.
Agora os amantes estão separados. Lisboa caiu nas mãos da investigadora Alicia, cuja crueldade mal é disfarçada por sua gravidez. Além disso, o assalto saiu totalmente do script. Impotente e apavorado, o Professor não é mais o gênio do crime que sugeria ser.
É tentador comparar a trajetória do personagem à de alguns líderes populistas. Na largada, angariam apoio ao declarar que irão implodir o sistema. Mas basta a realidade se impor para se revelarem em toda a sua fragilidade.
Dito isso, seria ótimo que “La Casa de Papel” terminasse agora. A série realizou a façanha de manter um nível razoavelmente alto ao longo de quatro temporadas, mesmo partindo de uma premissa pouco crível. Qual seria o próximo assalto? Já deu, não?

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La Casa de Papel
Avaliação: bom
Quarta temporada já disponível na Netflix

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