Pressionados pelos números, países reticentes em adotar restrição severa mudam rota
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Pressionados pelos números, países reticentes em adotar restrição severa mudam rota

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BAURU, SP (FOLHAPRESS) – Depois que a pandemia do novo coronavírus superou a marca de 1,4 milhão de casos em todo o mundo, governos que se mostravam mais permissivos e adotavam medidas menos rígidas para tentar conter o avanço da doença, como Suécia, Japão e Holanda, estão agora aderindo a ações mais restritivas.
E os números pressionam até os que vinham sendo tratados como bons exemplos de gestão da pandemia, como Singapura, que aperta o cerco para tentar evitar uma segunda onda de casos.
O Japão,não adotou medidas imediatas de bloqueio e isolamento da população, na contramão de países como a China e a Coreia do Sul.
Em 14 de março, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, chegou a alfinetar os vizinhos asiáticos apresentando números de infecções pelo coronavírus relativamente baixos.
O cenário começou a mudar quando o governo japonês e o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiram adiar os Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021, em decisão inédita na era moderna da competição.
No dia seguinte ao anúncio do adiamento, Yuriko Koike, governadora da província de Tóquio, disse que a cidade, com quase 14 milhões de habitantes, estava em uma “fase crítica que antecede uma possível explosão de infecções” e pediu que a população ficasse em casa tanto quanto possível.
“Sem prevenir a propagação da doença, vocês não podem ter suas vidas de volta”, disse.
A rotina dos japoneses, entretanto, pouco mudou. Bares, restaurantes, casas noturnas e centros de compras continuaram em funcionamento – apenas eventos esportivos e o acesso a parques temáticos foram suspensos.
O crescimento do número de casos diários – o Japão teve seu recorde de infecções na sexta (3), com 522 novos registros – levou o premiê japonês a decretar estado de emergência nesta terça (7) em Tóquio e outras seis regiões do país que representam, juntas, 44% da população.
O decreto dá às autoridades mais poder para fechar estabelecimentos e pressionar as pessoas a ficar em casa. “Vamos proteger os empregos e a vida a todo custo”, disse Shinzo Abe.
Até a tarde desta terça, o Japão registrava 3.906 casos da Covid-19, com 92 mortes.
Na Europa, a Suécia chegou a ser considerada o maior país do continente com menos limites sobre aonde as pessoas podiam ir e o que podiam fazer.
Contrariando a tendência global com um método menos restritivo contra o coronavírus, o país manteve bares, restaurantes e lojas abertas e não proibiu as pessoas de irem às ruas.
A abordagem mais permissiva baseava-se mais em medidas voluntárias por parte da população do que em proibições definitivas.
Apesar de o número de novos casos diários apresentar queda na última semana, com o recorde de 621 novos registros atingidos em 1º de abril, o governo sueco agora acena para medidas mais incisivas.
Um projeto de lei que amplia os poderes do Estado para tomar medidas como fechar lojas e lugares públicos mais rapidamente deve ser aprovado nos próximos dias.
A proposta se aplica apenas a ações associadas ao coronavírus e, ao contrário do decreto que concedeu poderes ilimitados a Viktor Orbán na Hungria, será válida por três meses.
Ainda assim, o primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, disse que conta com o voluntarismo da população. “Conselhos das autoridades não são apenas pequenas dicas. Espera-se que nós os sigamos todos os dias, a cada minuto”, disse.
Até esta terça-feira, a Suécia havia registrado 7.693 casos de coronavírus, com 591 mortes.
Na Holanda, depois de uma largada confusa do primeiro-ministro, Mark Rutte, medidas de contenção do coronavírus também foram intensificadas.
Em um pronunciamento em rede nacional feito em 16 de março, Rutte deu a entender que a estratégia do governo holandês seria focada na “imunidade de grupo”.
O conceito propõe que, ao contrair uma doença, um grande número de pessoas desenvolve imunidade a ela, estancando assim a propagação de um vírus.
A medida, que também foi cogitada no Reino Unido, entretanto, não tem apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), visto que ainda faltam estudos mais profundos sobre o comportamento do coronavírus no corpo humano.
Mais tarde, Rutte alegou um mal-entendido e anunciou medidas mais rígidas como o fechamento de escolas e restaurantes até, pelo menos, 28 de abril.
“Mesmo depois de 28 de abril, vai levar um tempo até voltarmos ao normal. Não façam planos para as férias de maio”, disse o premiê em entrevista coletiva em Haia, na qual ele também pediu às pessoas que sigam as regras de distanciamento social.
Na Holanda, a polícia tem autorização, até junho, para separar e multar grupos de mais de três pessoas que não mantenham uma distância segura entre si, a menos que sejam membros de uma mesma família.
As multas são de 400 euros (quase R$ 2.300) para indivíduos e de 4.000 euros (quase R$ 23 mil) para empresas.
A Holanda tinha registrado, até esta terça-feira (7), 19.709 casos de coronavírus, com 2.101 mortes.Em Singapura, no sudeste asiático, entraram em vigor nesta terça (7) as novas medidas de contenção do coronavírus anunciadas pelo governo.
Depois de servir de exemplo para outros países na abordagem dada à pandemia, a cidade-estado apertou o cerco contra uma segunda onda de contágio que já vem dando os primeiros sinais.
Durante o bloqueio, que deve durar pelo menos um mês, apenas as empresas que prestam serviços essenciais, como assistência médica, venda de alimentos e serviços públicos continuarão em funcionamento. Escolas e universidades também serão fechadas.
Parte do sucesso de Singapura em limitar a propagação do coronavírus em seu território é atribuída ao rígido controle imposto sobre a população desde o início da pandemia.
Apesar disso, a segunda onda de infecções, causada principalmente por residentes que estão voltando de outros países, estabeleceu um novo recorde de casos diários no sábado (4), com 122 novos registros.
Até esta terça (7), Singapura tinha 1.375 casos confirmados da Covid-19, com seis mortes.

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