Impactada pela crise, indústria da moda produz máscaras para doação
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Impactada pela crise, indústria da moda produz máscaras para doação

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A crise mundial do coronavírus atingiu em cheio o mundo da moda, assim como os demais setores da economia.
É uma indústria que também tem dado sua contribuição para minimizar os impactos da pandemia no sistema de saúde e entre as populações mais vulneráveis.
As máquinas pararam de produzir roupas e sapatos e passaram a ser utilizadas no esforço de oferecer máscaras essenciais para tentar frear a disseminação do novo vírus.
O Grupo AMC, que reúne as marcas Triton, Tufi Duek, Colcci e Fórum, comprometeu-se a confeccionar 100 mil unidades para serem distribuídas nas comunidades mais carentes das cidades onde tem suas fábricas.
A Vicunha também se engajou no movimento e está entregando 27 mil unidades para as secretarias de Saúde do Ceará e do Rio Grande do Norte.
No Rio Grande do Sul, a Arezzo mobilizou sua rede de fornecedores de tecidos e mais de 12 fábricas, que cederam seus maquinários, para a produção de 25 mil máscaras a serem distribuídas pela Secretaria de Saúde de Campo Bom, em Novo Hamburgo, e pela Secretaria de Saúde do estado.
As grifes de moda praia Água de Coco e Lenny também se uniram ao esforço.
“A Água de Coco parou suas atividades, mas decidiu voltar. Por um bom motivo. Vamos levar mais cor e esperança aos brasileiros.” É o que mostra o vídeo da fábrica retomando a produção para entregar 10 mil máscaras em verde e amarelo, conclamando todos também a ajudar na prevenção do coronavírus e fazer a sua parte.
Também em vídeo postado no Instagram, a estilista Lenny Niemeyer anunciou uma pausa na quarentena para produzir 4.800 máscaras. “Estamos disponibilizando parceiros e funcionários para produzir com nossos tecidos máscaras de proteção que não atendem a médicos e a parte hospitalar, mas que evitam a contaminação por gotículas para quem precisa sair de casa.”
Idealizador e diretor criativo da São Paulo Fashion Week —maior evento de moda do país—, Paulo Borges tem usado sua conta pessoal no Instagram para divulgar essas ações, que já somam mais de 160 mil máscaras a serem doadas, e influenciar outras pessoas e empresas a fazerem o mesmo.
“Percebi que meu canal pessoal era um lugar para colocar todos esses movimentos, incentivando negócios que me seguem e pessoas que gostam de moda, fazendo-os entender que cada um pode fazer sua parte”, afirma Borges, que acredita que o brasileiro tenha a solidariedade presente em sua identidade.
Para o diretor criativo da SPFW, é o momento de reforçar os elos da cadeia produtiva e criativa do setor e desenvolver esse caráter solidário em conjunto. Foi por isso que, antes mesmo de ser decretado o fechamento dos serviços não essenciais no Brasil, a produção da semana de moda decidiu cancelar a programação de abril.
Por serem considerados aglomerações, eventos do ramo em todo o mundo estão sendo cancelados —como as Semanas de Moda Masculina e de Alta-Costura de Paris— ou adaptados para plataformas online —como o desfile da coleção outono-inverno 2021 da grife italiana Giorgio Armani durante a Semana de Moda de Milão.
No Brasil, o setor de Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios registrou queda de 11,1% no mês de março. Com a rápida expansão da doença pelo mundo, medidas de isolamento social para prevenção obrigaram varejistas a fecharem suas lojas e fábricas a suspenderem a produção.
No entanto, as iniciativas de doações da moda se multiplicam e ultrapassam as marcas e nomes que desfilam na SPFW.
O estilista Lino Villaventura, por exemplo, doou três toneladas de alimentos para pessoas em situação de rua. No Polo de Juraia, produtor mineiro de lingeries, a meta é chegar à produção de 1 milhão de máscaras. Já a Hering doará 6.800 uniformes completos de proteção para instituições de saúde.
“Agora é o momento de pensar no outro, nas necessidades imediatas”, afirma. “É o que todos estão fazendo, cada um da sua forma e com seu alcance.”

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