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ANÁLISE-Unidades de carne dos EUA sofrem com pandemia, mas exportações à China crescem

Por Tom Polansek

CHICAGO (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou que unidades de processamento de carne do país permaneçam abertas em meio à pandemia de coronavírus para proteger a oferta de alimentos norte-americana, mesmo com trabalhadores ficando doentes e até mesmo morrendo.

Mesmo assim, o que se vê é um aumento nas exportações de carnes para a China, enquanto os consumidores dos EUA enfrentam a escassez, de acordo com dados do governo norte-americano analisados pela Reuters.

Trump, que está em uma dura disputa pública com a China sobre como o país asiático lidou com o coronavírus, invocou em 28 de abril o Ato de Defesa da Produção, de 1950, para manter as fábricas abertas. Agora, ele enfrenta críticas de alguns parlamentares, consumidores e funcionários das plantas por colocar os trabalhadores em risco para, em parte, garantir a oferta de carnes da China.

Compradores chineses de carnes aceleraram as importações provenientes de todo o mundo desde que a peste suína africana dizimou sua criação de porcos, a maior do mundo, e levou os preços da carne suína a máximas recordes no país. O choque de oferta fez com que desde o final de 2019 a China passasse a pagar mais do que qualquer outro país –e até que consumidores norte-americanos– pela carne dos EUA.

“Nós sabemos que, ao longo do tempo, as exportações são criticamente importantes. Mas acho que precisamos focar em atender à demanda doméstica neste momento”, disse Mike Naig, secretário de Agricultura de Iowa, principal Estado produtor de carne suína do país, que apoiou a medida de Trump.

Empresas como a Smithfield Foods (pertencente ao grupo chinês WH), a JBS USA (unidade da brasileira JBS no país) e a Tyson Foods fecharam temporariamente cerca de 20 plantas em meio à pandemia. Algumas retomaram produção de forma limitada, uma vez que funcionários, temendo contrair a doença, preferem ficar em casa.

As interrupções podem significar uma redução de 30% na oferta de carne nos supermercados dos EUA até o final de maio, enquanto os preços tendem a subir 20% em relação ao ano passado, segundo Will Sawyer, economista-chefe do CoBank.

Enquanto as ofertas de carne suína apertam e o número de abates diários de animais despenca em cerca de 40% desde meados de março, os embarques de carne de porco dos EUA para a China mais do que quadruplicaram no mesmo período, de acordo com dados do Departamento de Agricultura (USDA, na sigla em inglês).

A Smithfield foi a maior exportadora norte-americana para a China no período de janeiro a março, segundo a Panjiva, uma divisão da S&P Global Market Intelligence. A empresa embarcou ao menos 13.680 toneladas por via marítima em março, disse a Panjiva.

A Smithfield, maior processadora de carne de porco do mundo, afirmou em abril que o fechamento de fábricas nos EUA estava empurrando os preços no varejo para “perigosamente perto do limite”. Agora, a empresa disse em comunicado que está retomando sua unidade em Smithfield, Virgina, para ofertar carne fresca, bacon e presunto para consumidores norte-americanos.

“O resultado trágico é ainda pior quando o alimento sendo processando não vai para as famílias da nossa nação”, disse a deputada Rosa DeLauro, do Partido Democrata em Connecticut. “O Ato de Defesa de Produção é para isto: proteger os interesses nacionais da América, não da China.”

A Casa Branca se recusou a comentar. O USDA e o gabinete do Representante Comercial dos EUA não responderam a pedidos por comentários.

A JBS, que produz carnes bovina, suína e de frango, disse à Reuters que reduziu os volumes exportados para focar em responder à demanda norte-americana durante a pandemia. Cerca de 280 funcionários em uma planta de bovinos da empresa em Greeley, Colorado, foram infectados com o vírus, segundo um sindicato.

O presidente da Tyson Foods, Dean Banks, disse em uma conferência na semana passada que espera que a demanda da China por carne suína dos EUA permaneça forte, à medida que o país se recupera das medidas de “lockdown” aplicadas devido à pandemia.

(Reportagem adicional de Karl Plume, em Chicago, e Dominique Patton, em Pequim)

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