ENFOQUE-Índia colhe safra recorde de trigo, mas não consegue movimentá-la
Agro

ENFOQUE-Índia colhe safra recorde de trigo, mas não consegue movimentá-la

ENFOQUE-Índia colhe safra recorde de trigo, mas não consegue movimentá-la

Por Mayank Bhardwaj

GHARAUNDA, Índia (Reuters) – No final do mês passado, Sukrampal teve de implorar e pedir mão de obra emprestada de vilarejos próximos para colher sua parte na maior safra de trigo da história da Índia, no Estado de Haryana, próximo a Nova Délhi.

Agora, porém, o agricultor de 50 anos enfrenta um problema maior: como vender sua produção quando os três mercados atacadistas de grãos que atendem sua cidade-natal, Gharaunda, perto da região que é conhecida como “celeiro da Índia”, operam com uma equipe extremamente reduzida.

A ampla quarentena adotada pelo país, introduzida no final de março para conter a disseminação do novo coronavírus, gerou escassez de mão de obra na zona rural da Índia, afetando a colheita e impedindo a movimentação dos grãos.

A maior safra do mundo colhida durante a pandemia, avaliada em mais de 26 bilhões de dólares, pode servir como um teste para outras safras que estão por vir no mundo, como as de cana-de-açúcar e café no Brasil e a de arroz no Sudeste Asiático. A Índia é a segunda maior produtora e consumidora de trigo do mundo, atrás da China.

Para Sukrampal, o tema é urgente. Ele corre o risco de perder toda sua produção caso não consiga movimentá-la nos próximos dias, antes do novo período de chuvas, uma vez que tem lutado para manter o nível de umidade do trigo abaixo de 13% ou 14%. Acima disso, o cereal é menos atrativo para compradores e perde valor.

A quarentena afetou de forma severa os mais de 7 mil mercados atacadistas de alimentos da Índia, que são o único canal para o fornecimento de alimentos aos 1,3 bilhão de habitantes do país.

“Quase 90% dos trabalhadores não estão por aqui. Na última temporada, havia cerca de 5 mil trabalhadores, e nesta temporada há apenas 500”, disse Radhe Shyam, agente de comissão do Mercado de Grãos de Gharaunda. “Nunca havíamos visto algo assim.”

Por lei, os produtores de trigo da Índia vendem seus grãos exclusivamente em mercados atacadistas para agentes de comissão, que então os revendem para compradores estatais e operadores privados. Os agentes costumam empregar exércitos de trabalhadores para descarregamento, limpeza, pesagem, empacotamento e recarga dos milhões de sacas de trigo.

Neste ano, esses movimentados locais se esvaziaram, cortando a cadeia de oferta de alimentos no segundo país mais populoso do mundo e ceifando os ganhos de milhões de trabalhadores migrantes, que precisaram ficar de fora em um dos períodos mais lucrativos do ano-safra, que costuma gerar até metade de suas rendas anuais.

tagreuters.com2020binary_LYNXMPEG4E1X8-BASEIMAGE

To Top