Aos 91 anos, frade se recupera da Covid-19 após passar um mês internado
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Aos 91 anos, frade se recupera da Covid-19 após passar um mês internado

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Há quase dois meses, os frades do Convento de São Francisco, no centro de São Paulo, não ouvem mais o frei Odorico Decker, 91 anos, fazer sua tradicional apresentação de gaita durante a missa matutina. Contaminado pelo novo coronavírus, o religioso ficou um mês internado no Hospital São Francisco, de Bragança Paulista (a 87km da capital), e segue em isolamento na casa em que a ordem mantém frades doentes ou idosos na cidade do interior.
No período em que esteve em tratamento, o catarinense da colônia alemã Antônio Carlos lamenta não ter podido tocar seu instrumento favorito, que aprendeu “por ouvido”, acompanhando a melodia das músicas. “Recebi o dom de Deus de tocar este instrumento”, costuma dizer.
“Eu estava em São Paulo me sentindo fraco, sem apetite, meio tonto. Não aguentava andar muito nem fazer o trabalho de regar as plantas. Regava meia hora e já estava cansado. Por isso, costumava me deitar um pouco para descansar”, conta, explicando que foi transferido para a casa de Bragança Paulista e acabou sendo internado.
Ele diz que precisou usar respirador no período em que ficou isolado em um quarto, por causa da falta de ar, mas agradece o tratamento que recebeu de médicos e enfermeiros.
“Fui bem tratado. Dia e noite as enfermeiras me davam os remédios. Fiz amizade com elas e elas fizeram uma festa na minha saída do hospital. Fiz aniversário de 91 anos de idade enquanto estava internado e elas fizeram bexigas e cantos. Minha família também participou pelos celulares. Foi bem legal. E consegui afastar o vírus.”
Por pouco frei Odorico não tinha outra comemoração no hospital. No dia 18 deste mês, quatro dias após receber alta, ele completou 70 anos de frade franciscano. “Mas dessa vez não houve festa”, lamenta, dizendo que voltou a tocar gaita na missa das 7h30 e que não sente mais os sintomas da Covid-19.
Em sua vida religiosa, o frei já trabalhou em vários conventos do país, mas foi sua missão em Angola que mais o marcou. De 1991 a 2000, ele foi cozinheiro, fotógrafo, cuidava da casa dos franciscanos e da igreja no período final da Guerra Civil Angolana, que começou em 1975, com a independência do país do domínio de Portugal, e terminou em 2002. Essa experiência o inspirou a escrever o livro “África, meu amor”. Frei Odorico também escreveu uma autobiografia: “Raízes vividas”.

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