Açúcar bruto toca máxima de 4 meses e meio na ICE; café também avança

Mix Vale

NOVA YORK/LONDRES (Reuters) – Os contratos futuros do açúcar bruto negociados na ICE atingiram uma máxima de quatro meses e meio nesta sexta-feira, apoiados pela redução nas perspectivas para a safra da Tailândia e pelos ganhos de várias outras commodities precificadas em dólar, em parte devido à desvalorização da moeda norte-americana.

O dólar ampliou sua queda nesta sexta-feira, caminhando para o maior recuo mensal em uma década.

AÇÚCAR

* O contrato outubro do açúcar bruto fechou em alta de 0,53 centavo de dólar, ou 4,4%, a 12,64 centavos de dólar por libra-peso, maior nível desde 10 de março.

* Operadores disseram que uma seca deve prejudicar a produção na Tailândia, ajudando a pelo menos compensar parcialmente o forte aumento na produção do adoçante no Brasil.

* “Com menos açúcar bruto da Tailândia disponível no começo do próximo ano, o mercado parece substancialmente menos congestionado pelo açúcar extra que vem do Brasil”, disse em nota o analista do Commonwealth Bank of Australia, Tobin Gorey.

* Um corretor norte-americano disse que conversas sobre fortes compras chinesas também deram suporte aos preços, além do posicionamento de fundos.

* Operadores e analistas indicaram em pesquisa realizada pela Reuters que um aumento significativo na produção de açúcar do centro-sul do Brasil em 2020/21 deve resultar em um excedente global do adoçante.

* O açúcar branco para outubro avançou 13,40 dólares, ou 3,6%, para 381,60 dólares a tonelada.

CAFÉ

* O contrato setembro do café arábica fechou em alta de 3,6 centavos de dólar, ou 3,1%, a 1,1895 dólar por libra-peso, mais alto nível em três meses e meio.

* O café robusta para setembro avançou 4 dólares, ou 0,3%, para 1.344 dólares por tonelada.

* Operadores disseram que o mercado tem recebido suporte de preocupações com a possibilidade de impactos à oferta do Vietnã, maior produtor global de robusta, que luta para conter um novo surto de coronavírus.

* Um operador do Brasil disse que também há uma dose de preocupação com as condições excessivamente secas no país, maior produtor de café do mundo, que poderiam impactar os rendimentos agrícolas do ano que vem.

(Reportagem de Marcelo Teixeira e Nigel Hunt)