Tufão Haishen atinge Coreia do Sul após desabrigar 2 milhões no Japão

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Depois de causar pelo menos uma morte e deixar mais de dois milhões de pessoas desabrigadas no Japão, o tufão Haishen atingiu a Coreia do Sul nesta segunda-feira (7).
De acordo com o governo sul-coreano, houve pelo menos duas mortes no país após a chegada do tufão. Há pelo menos cinco feridos e duas pessoas estão desaparecidas. Até a manhã desta segunda, 3.100 pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas na Coreia do Sul.
Em Busan, segunda maior cidade do país, os ventos de até 112 km/h provocaram inundações e deslizamentos de terra, arrancaram árvores pelas raízes e derrubaram semáforos, postes e placas de rua. Ao menos 75 mil famílias ficaram sem energia elétrica.
Dois reatores nucleares na cidade de Gyeongju, cerca de 375 km a sudeste da capital, Seul, foram desligados, de acordo com a agência de notícias Yonhap. Mais de 340 voos e 114 rotas marítimas em todo o país foram cancelados, enquanto cerca de 6.000 escolas mudaram para o ensino remoto ou reduziram o período de aulas.
As ruas da cidade portuária de Sokcho estavam quase vazias, mas alguns moradores enfrentaram a chuva e o vento para tirar fotos e observar as ondas quebrando contra a parede do porto. Fora da cidade, rios com níveis muito acima do normal avançavam pelo campo carregando entulho e árvores caídas.
O presidente Moon Jae-in expressou preocupação sobre o potencial de danos adicionais a algumas regiões já atingidas por tufões anteriores e solicitou um levantamento para que as áreas mais prejudicadas pudessem receber recursos emergenciais.
As agências meteorológicas da Coreia do Sul, entretanto, reduziram os avisos de segurança no final do dia (início da manhã, no horário de Brasília), conforme o Haishen se movia em direção à Coreia do Norte. A previsão é que o tufão chegue ao país na madrugada desta terça-feira (8).
A imprensa estatal norte-coreana intensificou os alertas de emergência e exibiu imagens ao vivo de áreas já afetadas por outros dois tufões -Maysak e Bavi- que atingiram o país nas últimas semanas. Segundo a emissora KCTV, moradores das cidades de Tongchon e Wonsan, próximas da fronteira com a Coreia do Sul, receberam ordens de evacuação.
O país, considerado um dos mais fechados do mundo, não divulgou um balanço sobre os danos causados pelas tempestades, mas o ditador Kim Jong-un ordenou a 12 mil membros de seu partido que se juntassem ao trabalho de recuperação de duas províncias rurais particularmente devastadas pelo Maysak, segundo a KCNA, agência estatal de notícias.
O setor agrícola da Coreia do Norte é particularmente vulnerável ao clima severo, e as tempestades e inundações da estação aumentaram a preocupação com a frágil situação alimentar do país.
No Japão, houve ao menos uma morte. Quatro pessoas estão desaparecidas e mais de 50 ficaram feridas durante a passagem do Haishen, de acordo com a agência de notícias Kyodo. A suspeita é que os desaparecidos tenham sido soterrados no prédio de uma construtora em Miyazaki, no sul do país, atingido por um deslizamento de terra.
Na ilha de Kyushu, a terceira maior do arquipélago japonês, pelo menos 290 mil casas ficaram sem energia elétrica. A região ainda se recupera das fortes chuvas e enchentes de julho que causaram 83 mortes.
O Japão converte seus prédios municipais e escolas em abrigos durante emergências, mas algumas pessoas relutaram em se reunir em grande número devido ao medo da pandemia de Covid-19.
O Hayshen também foi responsável por suspender as buscas por sobreviventes de um naufrágio no Mar da China Oriental. O navio cargueiro Gulf Livestock naufragou na última quarta-feira (2) após a passagem do Maysak, com 43 tripulantes e 6.000 cabeças de gado a bordo.
Até esta segunda-feira, a Guarda Costeira japonesa encontrou dois sobreviventes e o corpo de um dos tripulantes. Os outros 40 seguem desaparecidos. Autoridades afirmaram que varão uma avaliação para retomar a operação quando for possível.