AstraZeneca e Universidade de Oxford retomam testes de vacina contra Covid-19
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AstraZeneca e Universidade de Oxford retomam testes de vacina contra Covid-19

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Por Michael Holden

LONDRES (Reuters) – A AstraZeneca e a Universidade de Oxford retomaram os ensaios clínicos no Reino Unido para a sua candidata a vacina contra o coronavírus, um dos estudos mais avançados em desenvolvimento, após receber autorização da autoridade sanitária britânica, afirmou a empresa neste sábado.

Os testes em estágio final do experimento foram suspensos no começo da semana em todo o mundo, após de surgir uma doença em um participantes do estudo no Reino Unido. O Brasil é um dos países do mundo que participa do experimento.

“No dia 6 de setembro, o processo de revisão padrão desencadeou uma pausa voluntária na vacinação em todos os testes globais para permitir a revisão dos dados de segurança por comitês independentes e reguladores internacionais”, disse a AstraZeneca.

Ela acrescentou que os revisores de segurança recomendaram à autoridade sanitária britânica (MHRA, na sigla em inglês) que era seguro retomar os testes no Reino Unido.

A farmacêutica britânica disse que não poderia divulgar mais informações médicas.

Governos em todo o mundo estão desesperados por uma vacina para ajudar a acabar com a pandemia, que causou mais de 900 mil mortes e turbulência econômica global. A Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou o estudo da AstraZeneca como o mais promissor.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse neste sábado que foi informada pela Universidade de Oxford sobre a autorização, mas que até o momento não foi comunicada oficialmente pela MHRA.

“Para que a reativação do estudo clínico ocorra no Brasil, a Anvisa espera receber nos próximos dias o peticionamento da empresa AstraZeneca”, disse em nota, explicando que, na prática, o laboratório precisa protocolar o pedido de nova anuência para que o estudo da vacina de Oxford possa ser retomado no país.

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que está coordenado a pesquisa no Brasil, disse que o estudo no país, que envolve 5 mil participantes, também deve ser retomado, logo após liberação da Anvisa e do Comitê Nacional de Ética e Pesquisa (Conep). Até o momento, 4.600 voluntários já foram recrutados e vacinados, sem registro de intercorrências graves de saúde.

A vacina desenvolvida pela AstraZeneca e a Universidade de Oxford é tida pelo governo brasileiro como uma das principais apostas para a imunização contra o Covid-19 no país.

Por meio do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o governo assinou um memorando de entendimento com a AstraZeneca que prevê a compra de 30 milhões de doses da vacina, com entrega em dezembro deste ano e janeiro do ano que vem, e a possibilidade de aquisição de mais 70 milhões se a vacina tiver eficácia e segurança comprovadas.

Além disso, o acordo inicial prevê a transferência da tecnologia desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca para produção na Fiocruz, com previsão do ministério de início ainda no primeiro semestre de 2021 –que foi colocada em dúvida por especialistas ouvidos pelas Reuters em razão da complexidade do processo de transferência de tecnologia.

(Reportagem adicional de Paula Arend Laier em São Paulo e Radhika Anilkumar em Bengaluru)

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