Edemar Cid Ferreira pede cancelamento de leilão e doação de obras ao MAC
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Edemar Cid Ferreira pede cancelamento de leilão e doação de obras ao MAC

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira pediu à Justiça nesta segunda (14) o cancelamento do leilão de parte de sua coleção de obras de arte que estava sob a guarda do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, o MAC, e a doação do conjunto à instituição.

Cerca de 2.000 peças apreendidas pelo juiz federal Fausto De Sanctis há 15 anos -quando o banco Santos teve a falência decretada- e em seguida repassadas para o museu paulistano devem ser leiloadas a partir da semana que vem, com o objetivo de angariar fundos para a massa falida da instituição financeira.

Em ofício enviado ao juiz da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da cidade de São Paulo, Paulo Furtado de Oliveira, Cid Ferreira argumenta que o leilão vai esquartejar a coleção, desvalorizando o conjunto e fazendo com que as obras percam valor de mercado.

As obras “são importantíssimas em nível nacional e internacional, tendo sua maior valorização pelo conjunto, ou seja, pela coleção inteira”, afirma o banqueiro.

O leilão, o maior a ser realizado pela casa paulistana James Lisboa, está marcado para ocorrer entre 21 de setembro e 2 de outubro, online e por telefone.

A coleção tem seu forte na área de fotografia, com cerca de mil imagens que contam a história dessa arte, desde o final do século 19 até o presente, segundo Helouise Costa, curadora de fotografia do MAC.

Há relíquias do surrealista Man Ray, um núcleo com obras do Foto Cine Clube Bandeirante e outro com fotografias de moda de artistas americanos, além de trabalhos de fotógrafos japoneses. “Não existe nenhuma coleção brasileira em museu, nem público e nem privado, que tenha essa abrangência”, diz Costa.

Desde que o conjunto passou à guarda do MAC, o museu gastou R$ 20 milhões em dinheiro público para armazenamento, catalogação e até autenticação de algumas obras, segundo Ana Magalhães, diretora da instituição. O museu vem há tempos pleiteando o ressarcimento desse valor com a doação dos próprios trabalhos para seu acervo, mas uma decisão judicial do ano passado devolveu ao MAC só R$ 37 mil.

Além disso, nos 15 anos em que a coleção esteve com o MAC -antes de ser retirada das dependências do museu no início deste ano-, ela serviu de base para a organização de 17 mostras, visitadas por milhares de pessoas.

No documento, Cid Ferreira se vale também de outro argumento para pedir o cancelamento do leilão. Ele lista seis empresas devedoras da massa falida do banco, que teriam condições de pagar cerca de R$ 4 bilhões aos credores, entre as quais o grupo Veríssimo -dono do shopping Eldorado- a confecção Hering e o grupo JBS.

Este valor é muito superior aos R$ 1,2 bilhão que ainda precisam ser ressarcidos aos credores, de um rombo de R$ 3,4 bilhões deixado pelo banco quando teve a falência decretada. “Então não há razão para tal leilão prosperar. Há ativos importantes a serem realizados e que deveriam ser priorizados”, escreve Cid Ferreira.

Ele diz ainda que os eventuais recursos financeiros trazidos aos credores pela liquidação das obras de arte são inferiores em relação à importância da coleção, que considera “patrimônio nacional”. A estimativa de arrecadação do leilão é da ordem de R$ 10 milhões, segundo Vânio Aguiar, o administrador da massa falida do banco.

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