Países europeus fazem apelo para que Brasil tome medidas contra desmatamento da Amazônia
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Países europeus fazem apelo para que Brasil tome medidas contra desmatamento da Amazônia

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Por Jake Spring e Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) – Um grupo de oito países europeus fizeram um apelo para que o Brasil tome “ações reais” para combater o crescente desmatamento da floresta amazônica, que ameaça o desejo europeu de ter fontes sustentáveis de alimentos e outros produtos.

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O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, que lidera os esforços do governo brasileiro para a conservação da Amazônia, respondeu na quarta-feira que o apelo faz parte de uma estratégia protecionista europeia.

Políticos e investidores europeus têm pressionado o Brasil a intensificar a proteção ambiental à medida que o desmatamento aumenta e os dois lados tentam finalizar um acordo de livre comércio fechado no ano passado.

O grupo de países, denominado Parceria das Declarações de Amsterdã, atualmente liderado pela Alemanha, enviou uma carta aberta ao vice-presidente Hamilton Mourão no final da terça-feira manifestando preocupações de que o Brasil esteja recuando de seu anteriormente sólido histórico de proteção ambiental.

“Nossos esforços coletivos para gerar um maior investimento financeiro na produção agrícola sustentável e melhorar o acesso de produtos obtidos de forma sustentável aos mercados também poderia apoiar o crescimento econômico do Brasil. Contudo, enquanto os esforços europeus buscam cadeias de suprimento não vinculadas ao desflorestamento, a atual tendência crescente de desflorestamento no Brasil está tornando cada vez mais difícil para empresas e investidores atender a seus critérios ambientais, sociais e de governança”, afirma a carta de duas páginas.

“Os países que se reúnem através da Parceria das Declarações de Amsterdã contam com um compromisso político firme e renovado por parte do governo brasileiro para reduzir o desflorestamento e esperam que isso se reflita em ações reais imediatas.”

Mourão, um general do Exército na reserva que também preside o Conselho da Amazônia, disse que o Ministério das Relações Exteriores conversará com o embaixador alemão e organizarará um encontro mais amplo com representantes dos países se necessário.

“Isso não tem nada a ver com investidores… vocês têm que entender que faz parte da estratégica comercial dos países europeus”, disse Mourão a jornalistas.

“Isso é uma barreira. Existem barreiras tarifárias e barreiras não tarifárias. Então isso daí a gente tem que fazer a negociação não só comercial como diplomática e ambiental também”, acrescentou.

A Parceria das Declarações de Amsterdã, que pretende garantir à Europa o fornecimento de commodities livres de desmatamento, inclui Alemanha, França, Dinamarca, Itália, Holanda, Noruega e Reino Unido. A Bélgica, que não faz parte da parceria, também assinou a carta.

O documento elogia ações passadas do Brasil para proteger o meio ambiente, mas nota que “o desflorestamento aumentou em taxas alarmantes, recentemente documentadas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)”. Os países disseram que estão prontos a intensificar o diálogo com o Brasil neste tema.

O desmatamento na Amazônia brasileira saltou 34,5% nos 12 meses até julho, ano-calendário oficial que o Inpe usa para medir o desmatamento anual da floresta, segundo dados preliminares.

Ambientalistas culpam as políticas do presidente Jair Bolsonaro, que defende a exploração econômica da região, por incentivar madeireiros ilegais e grileiros a destruírem a floresta.

Bolsonaro diz que a exploração econômica é necessária para tirar a região da pobreza.

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