EUA proíbem importações de óleo de palma da malaia FGV

Trabalhador colhe os frutos da palma

WASHINGTON/KUALA LUMPUR (Reuters) – Os Estados Unidos proibiram importações de óleo de palma da malaia FGV Holdings após uma investigação sobre alegações de que a empresa faz uso de trabalho forçado, disse a agência de Alfândega e de Fronteiras do país (CBP, na sigla em inglês) nesta quarta-feira.

A FGV –maior produtora de óleo de palma do mundo– e algumas outras fornecedoras do produto, utilizado amplamente em indústrias que vão dos alimentos aos cosméticos, passando pelo biodiesel, enfrentam há muito tempo denúncias de grupos civis em função da mão de obra utilizada e de violações aos direitos humanos.

A FGV não respondeu de imediato a um pedido por comentários.

A agência norte-americana disse que o banimento é o resultado de uma investigação de um ano que revelou sinais de trabalho forçado, como abuso de vulneráveis, fraude, violência física e sexual, intimidação, ameaças e retenção de documentos de identidade.

A investigação também levantou preocupações quanto ao potencial uso de trabalho infantil forçado nos processos de produção da FGV, disse a CBP em comunicado, acrescentando que a proibição tem efeito imediato.

“O uso de trabalho forçado na fabricação de um produto tão onipresente permite que as empresas lucrem com o abuso de trabalhadores vulneráveis”, disse Brenda Smith, comissária-executiva assistente do gabinete comercial do CBP.

A Indonésia e a Malásia são as duas maiores produtoras globais de óleo de palma, cuja indústria também tem sido responsabilizada pelo desmatamento e destruição de habitats.

(Reportagem de Liz Lee, em Kuala Lumpur, e David Lawder, em Washington)

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