Masp reabre após quarentena e visitantes matam saudade da arte

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Depois de mais de sete meses fechado por causa da quarentena da Covid-19, o Masp (Museu de Arte de São Paulo) voltou a receber visitantes nesta terça-feira (13). Desde antes das 13h, horário da abertura no dia em que a entrada é gratuita, muitos visitantes já aguardavam para entrar.

A reabertura do museu, assim como a de outros equipamentos culturais, acontece depois da evolução da capital para a fase verde do Plano São Paulo, o mais flexível da quarentena.

A fila, com marcações no chão para garantir o distanciamento, era constante. Para entrar, os visitantes têm que fazer a reserva pelo site, pois a bilheteria está fechada -mesmo no dia da gratuidade. Enquanto a reportagem esteve no vão do museu, o fluxo fluía tranquilamente.

Por nota, o museu afirma que o número de visitantes hoje deve ser o máximo permitido pelas regras da quarentena: 1.100 pessoas. Numa terça-feira gratuita pré-pandemia, o MASP recebia cerca de 4.500 pessoas.

O museu reabre com cinco exposições em cartaz: “Hélio Oiticica: a dança na minha experiência” (até 22 de novembro), “Trisha Brown: coreografar a vida” (até 15 de novembro), “Senga Nengudi: topologias” (até 15 de novembro), “Sala de vídeo: Babette Mangolte” (até 8 de novembro) e “Acervo em transformação” (mostra de longa duracao da colecao, sem data de encerramento). As quatro primeiras tinham data de estreia marcada para depois do fechamento do museu, então são novidade na programação.

“Essa é a nossa primeira saída não essencial em sete meses”, afirma Juliana Neves, 45, ao lado do filho, Levi, 9. Ela diz que escolheu visitar o Masp porque nenhuma outra atividade fazia tanta falta. “Eu queria ver algo que não fosse só supermercado, estava precisando de arte.” Levi também estava animado com a novidade: queria ver os quadros. “Vai ser muito legal.”

Entre os protocolos de segurança para diminuir os riscos, o Masp reduziu a capacidade máxima de visitantes para 40%. Além da venda de ingressos exclusivamente pela internet, o protocolo no local inclui medição de temperatura na entrada, uso obrigatório de máscaras e definição de número de pessoas por galeria e banheiros.

A turismóloga Sarah Bordonal, 24, aproveitou a reabertura para visitar o museu pela primeira vez. A ideia dela, diz, é viver essa nova experiência, tanto com as obras quanto com a segurança sanitária.

“Com a reabertura, muitos turistas estão querendo saber, bem ansiosos. Venho com receio [pela Covid-19] porque é sempre difícil sair de casa, por isso sempre tomando todas as precauções.”

Masp, IMS, Pinacoteca, teatros: as saudades da dentista Renata Fernandes, 44, ainda são muitas. “Ficar sem nossos equipamentos culturais é muito difícil”, afirma. Mesmo “morrendo de medo”, principalmente por se tratar de um ambiente fechado com ar condicionado, ela disse que precisava da visita. Para minimizar o risco, lista as medidas de segurança, como álcool em gel, máscara e distanciamento de outras pessoas.

“A condição humana pede esse retorno [da cultura]”, afirma Diego Cardoso, 33. Professor de Belo Horizonte, ele está de passagem pela cidade e não quis perder a oportunidade da reabertura para conhecer o museu. “Os primeiros meses de quarentena foram bem rígidos, com muitos cuidados, então um momento como esse faz muita falta”, finaliza.

Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Horários: ter. a sex.: das 13h às 19h (entrada até 18h30); sáb. e dom.: das 10h às 16h (entrada até 15h30)

Ingresso: R$45 e R$22 (estudantes, professores e maiores de 60 anos). Entrada gratuita às terças. Reservas em https://masp.byinti.com/#/ticket/