Russomanno imita Bolsonaro ao defender isolamento vertical contra Covid e minimiza contaminação entre moradores de rua

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em reunião na a Associação Comercial de São Paulo, o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), que espera ser eleito à Prefeitura de São Paulo com o apoio de Jair Bolsonaro, se alinhou ao discurso do presidente em relação à pandemia do coronavírus, defendendo isolamento vertical e criticando as medidas de isolamento do prefeito Bruno Covas (PSDB) e do governador João Doria (PSDB).

Russomanno afirmou que era de se esperar que, na periferia e entre moradores de rua, que segundo ele não seguiram o isolamento social, houvesse mais casos da doença. A pandemia já matou mais de 150 mil brasileiros

“Alardeavam que, com a pandemia, os moradores de rua não sobreviveriam, que a cracolândia ia acabar, porque estava todo mundo aglomerado, e não aconteceu absolutamente nada. E, nas periferias, não houve de forma nenhuma esse afastamento tão pregado pelo governo do estado e pelo governo municipal, que destruiu as nossas empresas e nossos empregos”, disse Russomanno.

O candidato afirmou que é preciso estudar a Covid-19 para entender por que algumas pessoas são mais resistentes e se referiu aos moradores de rua. “Talvez eles sejam mais resistentes que a gente porque eles convivem o tempo todo nas ruas, não têm como tomar banho todo o dia.”

Russomanno afirmou que sente pelas pessoas que perderam familiares, “mas a gente precisa pensar que, se a pessoa não morre por Covid, vai morrer por outros problemas”.

“Você tem que cuidar da população como um todo. Agora não existem outras doenças mais? Só existe Covid?”, completou ao afirmar que consultas e exames estão represados na rede pública.

O candidato do Republicanos fez coro a Bolsonaro na defesa do isolamento vertical, enquanto as recomendações da Organização Mundial da Saúde eram pelo distanciamento entre todos os cidadãos.

“Se você sair para a periferia, você vai ver que o isolamento não existe. O isolamento só existe nas classes médias e altas. Esse isolamento deveria ter sido feito, depois dos primeiros 30 dias, de forma vertical, cuidando das pessoas com problemas respiratórios, das pessoas cardíacas, dos idosos, das pessoas com deficiência. E não fechado o comércio do jeito que foi feito, quebrando e desempregando todo mundo”, afirmou o candidato.

Russomanno questionou ainda se o procedimento adotado pelo governo estadual e pela prefeitura “não foi errado”. “Na periferia, tem gente que mora em quatro ou cinco num cômodo e não contraiu a doença. Como que se explica isso?”, questionou.

Segundo ele, os governos Doria e Covas erraram bastante. “O prefeito é um penduricalho do governo do estado, ele tem decisão? Ele tomou alguma decisão? Não. As decisões vieram impostas pelo governo do estado. Aí fica difícil você coordenar uma cidade que não tem voz.”

O candidato defendeu ainda medidas para atrair emprego a São Paulo e reduzir os efeitos econômicos da pandemia, como parcelamento do IPTU, redução do ISS e negociação de aluguéis por meio da prefeitura.

Russomanno voltou a pregar o auxílio paulistano, sua principal proposta, e disse que, se eleito, irá a Brasília buscar verba com o governo federal e o BNDES para financiar pequenos empresários. (Carolina Linhares)