G20 promete fazer “o que for preciso” para apoiar economia global

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Por Jan Strupczewski e Christian Kraemer e Andrea Shalal

BRUXELAS/BERLIM/WASHINGTON (Reuters) – Os líderes financeiros do Grupo das 20 principais economias do mundo ressaltaram nesta quarta-feira a necessidade urgente de controlar a propagação da pandemia de coronavírus e prometeram “fazer o que for preciso” para apoiar a economia e a estabilidade financeira global.

Em um longo comunicado, os ministros das finanças do G20 e os presidentes dos bancos centrais também concordaram, em princípio e pela primeira vez, com um “Arcabouço Comum” para lidar caso a caso com o número crescente de países de baixa renda que enfrentam problemas de dívida.

Isso representa um passo significativo para a China, que se tornou um importante credor de países pobres nos últimos anos, mas que havia mostrado resistência à possibilidade de perdoar quaisquer dívidas, de acordo com fontes familiarizadas com as deliberações do G20.

O rascunho final do comunicado, ao qual a Reuters teve acesso nesta quarta-feira durante reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, mencionou que as autoridades finalizariam o novo arcabouço em uma reunião extraordinária antes do encontro dos líderes do G20 no mês que vem. Um rascunho anterior registrava os ministros adotando esse arcabouço, mas as autoridades não conseguiram chegar a um acordo sobre essa etapa nesta semana.

As autoridades do G20 também concordaram em estender o congelamento dos pagamentos oficiais da dívida bilateral por seis meses, dada a contínua pressão de liquidez sobre países de baixa renda, e expressaram desapontamento com a ausência de credores do setor privado no processo de moratória.

O presidente do Banco Mundial, David Malpass, disse às autoridades do G20 que era fundamental olhar para além da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI, na sigla em inglês) do G20, que apenas adia os pagamentos, mas não os reduz.

Malpass afirmou que a urgência da crise –que ameaça deixar mais 150 milhões de pessoas na pobreza extrema até 2021– exige uma ação mais enérgica e rápida na redução da dívida para os países endividados dentre os mais pobres do mundo.

“A recessão nas economias avançadas é menos severa do que se temia, mas na maioria das economias em desenvolvimento ela se tornou uma depressão, especialmente nas mais pobres”, disse ele.

“É urgente fazer um progresso rápido em uma estrutura, porque o risco de defaults desordenados está aumentando”, disse ele.

Os líderes do G20, reconhecendo a perspectiva desigual e altamente incerta para a economia global, também se comprometeram em continuar a abordar o impacto desproporcional que a crise causou em mulheres, jovens e outros segmentos vulneráveis ​​da sociedade em todo o mundo.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, disse em coletiva de imprensa que uma maior cooperação internacional é necessária para se trabalhar numa vacina e que o progresso inicial pode aumentar a renda global em até 9 trilhões de dólares até 2025.

O FMI projeta uma recuperação parcial e desigual da economia em 2021, com crescimento global estimado em 5,2%, mas alertou que ainda existem riscos significativos, incluindo o ressurgimento do vírus.

(Reportagem adicional de Leigh Thomas em Paris e David Lawder em Washington)

((Tradução Redação Brasília, 55 61 33296012)) REUTERS GP JCG

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